Em nome do Paraná
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 1997
Telma Elorza 
ReproduçãoPreocupação de Noiva, o quadro exposto em São PauloA artista plástica Iara Cebrian, residente em Apucarana, foi escolhida para representar o Paraná no 1º Salão Nacional de Pintura Contemporânea Brasileira, que será aberto hoje, no Espaço Cultural da Biblioteca Presidente Kennedy, em São Paulo. O trabalho exposto é Preocupação de Noiva, em acrílica sobre papel kraft e papelão. O Salão fica aberto à visitação até o dia 30 de maio.
O Salão, promovido pela A&CA Assessoria e Consultoria de Arte com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, tem como objetivo reunir artistas contemporâneos de todo o Brasil, apresentando o que vem sendo produzido e que marcará este fim de século. Um espaço especial, dentro do Salão, expõe 11 trabalhos de artistas selecionados para representar seu Estado. É neste espaço que está a obra de Iara.
Segundo a artista, ela havia se inscrito para participar do salão quando soube que havia sido selecionada, junto com outros cinco artistas do Paraná, para este espaço. Quando escolheram meu quadro para representar o Estado, quase nem acreditei- diz.
Temática O quadro Preocupação de Noiva esteve exposto em Londrina, em outubro do ano passado, em uma individual da artista. Sarcástica e crítica, Iara trabalha com um repertório que chega às raias do bizarro. A figuração de suas obras, com cabeças, mãos e pés múltiplos em contraposição a animais, é explícita em suas intenções de alertar contra a sociedade robotizada e industrial, onde crianças são fabricadas e superficialidades servem como talismãs. Eu retrato situações que vejo e que me chocam na sociedade humana. O cada um por si, as manipulações genéticas, a prisão da estética, o materialismo absurdo, está tudo ali. É minha reflexão sobre isto - explica.
Seus trabalhos fogem do suporte tradicional em busca de novas formas de expressão. Utilizando gesso, acrílico, bandagens, papel kraft (de embrulho) ou a rusticidade do papelão como telas, Iara compõe imagens onde sua visão algo lúdica, de traços até infantis e cores vibrantes, se transformam em denúncias contudentes de uma realidade materialista.


