O grandalhão Pedro Bial não deixa dúvidas que adorou virar o apresentador ''oficial'' do ''Big Brother Brasil''. Com presença garantida no comando do próximo ''BBB'', previsto para estrear ainda este ano, o jornalista mostrou-se mais do que desembaraçado na função. Irônico, Pedro Bial garante que se inspirou em Silvio Santos na hora de dar o resultado das votações e criar um clima de expectativa no ''reality-show''. ''Assisto ao mestre Silvio Santos desde pequeno. Procuro fazer alguma coisa semelhante. Não posso deixar de dar este crédito a ele'', diz, com seu indefectível tom de deboche.
Fã ou não do realmente carismático Silvio Santos, Pedro Bial pretende continuar investindo na carreira de apresentador. Ele vai comandar, por exemplo, a versão para ''The Weakest Link'', espécie de ''game'' da BBC, que a Globo pode estrear ainda em agosto. Paparicado pelas concorrentes do ''BBB'' com gracinhas do tipo ''você toma leite no pires?'', Pedro ''Miau'' Bial confessa que criou uma intimidade com os participantes do programa. Mesmo em casa, jura que acompanhava os que ele chamava de ''gladiadores'' através do sistema pay-per-view.
A carreira de apresentador vai distanciar você do jornalismo?
Sem dúvida, abriu-se um novo caminho para mim na linha de shows. Acho que não precisa ser um desvio no meu caminho de jornalista, mas, de repente, só um alargamento de estrada. Eu ainda sou do ''Fantástico'', que, aliás, é um programa que também tem jornalismo e entretenimento. Acredito que, unindo as duas funções, fico mais completo e versátil.
Você demonstrou certa espirituosidade no comando do ''BBB''. Você se sente à vontade nesta função?
As coisas aconteceram de uma maneira imprevista para mim. Pode soar como o Felipão, mas o fato é o seguinte: o sucesso deste programa é que esta equipe do ''BBB'' é uma equipe mesmo. O Boninho como nosso líder... é a família Boninho.
Isso é um lugar-comum...
Pode ser mesmo. Quero dizer que as pessoas trabalham com muito orgulho no ''BBB'', pois qualquer um que trabalha em televisão sabe a façanha que é fazer este programa bem-feito. Inclusive, acho que o programa evoluiu muito do primeiro para o segundo ''BBB''. Não só na captação das imagens das 24 horas de observação, como na edição, que foi importante para a evolução do ''BBB''. Aí, peguei a minha carona como apresentador. Quando tudo começa a ir para frente, a gente vai junto. Por isso, fui ficando mais à vontade no programa.
Para você o segundo ''BBB'' foi melhor que o primeiro?
A turma do segundo não era tão notívaga. Também não tinha tanta elaboração verbal como o anterior. Não que os primeiros fossem lá muito bons de fala, mas o Leandro, a Leka e o Serginho, por exemplo, adoravam falar. Já neste segundo, as pessoas não gostavam muito. O Rodrigo era inteligente, mas, se pudesse, não falava. Também acho que este grupo era menos consciente da presença das câmaras que o primeiro. No primeiro, nunca percebi que eles esqueceram das câmaras. Na segunda versão parece que não existiam as câmaras. Saiu briga, namoros... As coisas aconteceram rápido e de forma mais intensa.
O que acrescenta ao espectador um programa tipo o ''BBB''?
Nós, que trabalhamos em tevê, não somos intelectuais para interpretar isso. Recomendo a leitura do ''Cahier du Cinema'', uma revista francesa de cinema, onde se fez uma análise do ''Big Brother'' da França. O programa foi comparado com os 10 melhores filmes franceses do ano passado. E aí, o intelectual francês que escreveu o artigo disserta sobre a importância do ''reality-show'' na dramaturgia do mundo. Este tipo de programa está mexendo com a dramaturgia. Talvez as pessoas estejam querendo uma dramaturgia mais simples. Sem grandes eventos e que trate do universo que o envolve como espectador. Uma dramaturgia que questione a relação dele com o vizinho e se ele é feliz ou não. Mas não quero ficar elocubrando teorias porque faço o programa. Os outros que pensem nos objetivos do ''BBB''.

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