Em nome do filho
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 2014
Anna Bittencourt<br> TV Press 
A Record vem se especializando em séries. Já consolidada e com boa audiência nas produções bíblicas, a emissora não consegue tanto sucesso nas novelas. Por isso, projetos mais curtos e, consequentemente, mais bem cuidados acabam ganhando espaço. Prova disso é a estreia de "Conselho Tutelar" amanhã. A trama gira em torno da vida e do trabalho de Sereno e César, dois conselheiros tutelares interpretados por Roberto Bomtempo e Paulo Vilela.
Inspirado nas histórias de Heber Boscoli, um dos conselheiros tutelares mais antigos do Rio de Janeiro, o roteiro é assinado por Marco Borges. "É uma trama sobre heróis da vida real. São pessoas que abdicam das próprias vidas para cuidar do filho dos outros", valoriza Marco, que conta com a ajuda de Mariana Vielmond, Bosco Brasil, Chris Gomes e Bruno Passeri.
Para Roberto Bomtempo, que interpreta o dedicado Sereno, contar a história de um órgão tão fundamental é uma importante função social de "Conselho Tutelar". "É claro que o entretenimento é fundamental para a tevê. Mas mostramos um lado da vida muito violento. Sem dúvida, saio transformado desse trabalho", garante.
O discurso é afinado com Paulo Vilela, que dá vida ao novato César. O primeiro protagonista do ator na tevê é pintado com tintas muito fortes. O personagem decide virar conselheiro por ter sofrido abuso na infância. "Ele é muito impulsivo. Sabe o que é ser uma criança maltratada e quer resolver tudo com imediatismo", reflete Paulo.
Um assunto tão delicado poderia dificultar a divulgação da série e afastar o público. No entanto, o bom roteiro de Marco Borges consegue driblar esses problemas dando espaço para a comédia. Com personalidades distintas, Sereno e César são carregados de humor refinado, contando com um tom irônico que os deixa tensos e divertidos na mesma medida. "É importante que, mesmo em um ambiente complexo e denso, existam fugas", defende o roteirista.
Gravada desde março, "Conselho Tutelar" sofreu com as mudanças na grade da Record e acabou sendo utilizada para abrir os especiais de fim de ano da emissora. Inicialmente, a série foi desenhada para ter 14 episódios. No entanto, durante as gravações, foi decidido que a primeira temporada teria apenas cinco e, conforme a repercussão, uma segunda temporada seria pensada.
Para Rudi Lagemann, o encurtamento da série não influencia na qualidade da produção. Filmada com a tecnologia 4K, superior à alta definição, a produção foi feita em parceria com a produtora Visom, do Rio de Janeiro. "É muito trabalhoso e delicado lidar com crianças e adolescentes. Principalmente, para conseguir aquela emoção que um menor maltratado deve ter. Sei que sou meio ríspido às vezes, mas acho que conseguimos um resultado muito bom", valoriza Rudi, aos risos.
Além de Roberto Bomtempo e Paulo Vilela, "Conselho Tutelar" conta com outros atores no elenco fixo. André, de Petrônio Gontijo, é um promotor público e inimigo número um de Sereno. Além de ir de encontro com as ideias do advogado, ele é o novo namorado de Flávia, de Cássia Linhares, ex-mulher do conselheiro. "É uma relação conturbada. Além do trabalho, tem essa questão pessoal que pesa muito para os três", avalia Cássia. Paulo Gorgulho é Carvalho Brito, o juiz que despacha os casos do Conselho. Lídia e Estér, de Gabriela Haviaras e Andréa Neves, também auxiliam nos processos da instituição.
Outras participações especiais também estão previstas. Lucinha Lins, por exemplo, interpreta Vera, uma médica que agride sua filha adotiva. "Espero que tenha conseguido passar verdade e força para dar vida a essa mulher louca, capaz de machucar uma criança", ressalta Lucinha.


