Fascinada por histórias de luta e superação, Glória Perez define ''Salve Jorge'', folhetim que estreia no próximo dia 22 de outubro, como uma história de guerreiros. A inspiração para formatar seu décimo quinto trabalho na Globo - entre novelas, minisséries e especiais - foram as pessoas que enfrentam, cotidianamente, seus ''dragões'' pessoais. A partir disso, Glória encaixou na trama o mito do famoso ''Santo Guerreiro''. ''São Jorge é muito abrangente. Ao mesmo tempo em que é padroeiro da Inglaterra, está nos terreiros de Umbanda. O mito me levou a pesquisar e ambientar a história na Turquia. Já que, pela lenda, ele nasceu na Capadócia'', explica a autora de 64 anos.
O encontro de Glória com lugares como a rural região da Capadócia e a populosa Istambul foi decisivo. Ela se encantou com a mistura de costumes orientais e o ocidentais presentes na região. E descobriu o cenário perfeito para a principal campanha social do folhetim: o tráfico internacional de pessoas. ''Como em outras tramas minhas, quero dar voz a quem não tem. A novela aborda o tráfico de várias maneiras. Desde o sexual, passando pelo trabalho doméstico e a adoção ilegal'', adianta Glória, que já abordou temáticas como a doação de órgãos em ''De Corpo e Alma'', de 1992, crianças desaparecidas em ''Explode Coração'', de 1995, entre outras. ''Acredito que a tevê possa servir para mobilizar a população em prol de causas nobres'', analisa.
Ávida por questões sociais genuinamente brasileiras, na parte nacional de ''Salve Jorge'', Glória resolveu abordar a pacificação do Morro do Alemão, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na comunidade carioca reside a protagonista Morena, de Nanda Costa. Sonhadora e na busca por oportunidades de trabalho fora do país, Morena torna-se vítima de uma rede criminosa e acaba sendo forçada a trabalhar em uma boate turca. ''Ela é o eixo entre os dois países. E a base da principal história de amor da trama, que gira em torno dos encontros e desencontros entre Morena e Theo, capitão da cavalaria do exército'', conta a autora, referindo-se ao personagem de Rodrigo Lombardi.
Inicialmente, a ideia de Glória era bisar o casal de ''Caminho das Índias'', de 2009, - Rodrigo Lombardi e Juliana Paes - no novo trabalho. O galã já estava garantido desde o fim de ''O Astro'', mas na frequente guerra pelos principais atores da Globo, a autora teve de ceder Juliana Paes para ''Gabriela''. ''Eu escrevo para atores específicos. Me envolvo com o elenco e crio de forma especial. A troca da protagonista me custou caro. Tive de refazer boa parte do perfil da personagem. Pois Nanda e Juliana têm perfis e idades diferentes'', assume a autora, que na contramão de novelas mais recentes, que contam com elenco enxuto, em torno de 40 personagens, segue a linha de folhetins mais tradicionais, em uma trama que ultrapassa os 70 nomes. ''Não me importo com a quantidade de personagens. Todos têm importância e estão a serviço da dramaturgia'', justifica.
Completamente imersa na cultura turca desde o ano passado, entre viagens e pesquisas, Glória trouxe na bagagem muitas músicas, expressões típicas e passos de dança, algo bem comum em suas tramas ambientadas em outros países, como ''O Clone'', de 2001. Segundo a autora, todas essas informações encontram equilíbrio e agilidade nas mãos do diretor Marcos Schechtman.
É a terceira vez que Marcos assina a direção de núcleo de uma trama da Glória. Segundo ela, a dupla volta mais afinada à tevê. Principalmente depois de conquistarem um inédito Emmy Internacional - prêmio concedido pela Academia Internacional das Artes & Ciências Televisivas - para a teledramaturgia brasileira com ''Caminho das Índias''. ''Foi uma das maiores vitórias da minha carreira. Seria ótimo ganhar outro, mas não existe pressão. Com prêmios ou não, quero mesmo é fazer um bom trabalho'', garante.

mockup