EM NOME DA TRADIÇÃO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de junho de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
O resgate das tradições do Fandango, dança típica do litoral paranaense, começa a ganhar força com o projeto Tamborango (palavra formada pela fusão de tambor e fandango) da ONG Cores da Rua, de Curitiba. Ao todo, 55 adolescentes de 13 a 17 anos que integram o grupo apresentam-se hoje, na Boca Maldita, e amanhã, na Feirinha do Largo da Ordem (em frente à Sociedade Garibaldi), às 11h30.
Desta vez a manifestação tradicional ganha uma leitura urbana, com inserções de componentes como o tambor, o teatro, a dança e a literatura. A pesquisa de campo foi realizada nos municípios de Guaraqueçaba, Superagui e Valadares.
Os profissionais responsáveis na área artística são Vanderlei Lopes (dança), Hélio SantAna (música) e Beto Lanza (teatro). Participam também Itaercio Rocha como brincante, Ricardo Garanhani (figurino e adereços), entre outros.
Os jovens artistas do Tamborango têm uma particularidade em comum no seu linguajar, além da esperança de seguirem a profissão daquilo que gostam de fazer. Eles insistem em usar a palavra oportunidade. Se ela vier, serão futuros músicos, atores, bailarinos. A pequena Silvia Fernanda Ferreira, de 12 anos, conta que sempre gostou de dança. Por ela, faria balé clássico, jazz, o que viesse. Aos 9 anos entrou num curso realizado na Rua da Cidadania de Santa Felicidade. No período em que estudou lá, fez três apresentações.
Se tiver oportunidade vou dedicar minha vida fazendo dança, comenta a menina. Estar no Tamborango é uma experiência válida, mesmo porque tem professores experientes que atuam no corpo de baile do Teatro Guaíra: Wanderley Lopes, Ailton Galvão e Fernando Rogério.
Tocando tambor no espetáculo que será mostrado hoje e amanhã, Luiz Moreira dos Santos, 14 anos, é outro que não troca a arte por nada neste mundo. Quero ser músico, não quero ser outra coisa, determina com firmeza. Aqui toco tambor, mas quando vim para cá já tocava, tenho instrumentos em casa, orgulha-se.
A praia de Luiz é a percussão: ele domina o tambor, pandeiro, chocalho mas sabe que ainda tem muito a aprender. Ingressar no Tamborango ajudou-o a melhorar na performance do instrumento. Elogia o professor Hélio Santana (um dos nomes respeitados da cena musical curitibana). Sêo Helinho se dedica muito para ensinar a gente. E eu estou me dedicando bastante para aprender, afirma.
Jonathan Augusto Pinheiro, 15 anos, faz parte do grupo de teatro do Tamborango. Para mim é uma nova experiência porque junta música e dança num mesmo espetáculo. Está sendo muito legal trabalhar com todos juntos. O jovem não só representa como também ajudou a escrever peças em eventos do colégio, como as datas cívicas. Já escrevi várias peças, inclusive no Projeto Piá Atenas Augusto, acrescenta.
Uma vez Jonathan esteve no Teatro Fernanda Montenegro assistindo a um espetáculo voltado ao público adolescente. Tanto ali, como no desempenho dos atores na televisão o garoto observa a expressão deles em cena. É assim que a gente faz para aprender mais. Sou ator e quero seguir a carreira. Aqui é uma nova oportunidade que estou tendo, alegra-se. (colaborou Elisa Marília Carneiro)
Apresentação do projeto Tamborango hoje, na Boca Maldita, próximo à Praça Osório e amanhã, na Feirinha do Largo da Ordem, em Curitiba, às 11h30.


