Em nome da fidelidade
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Qual a melhor qualidade de um homem em uma relação amorosa? Ser fiel, ser prudente? O dramaturgo Oscar Wilde já discutia essas características em 1895, quando escreveu a peça ''A importância de ser fiel''. Mais conhecida como ''A importância de ser prudente'', a peça ganha tradução inédita do Grupo Tapa, radicado em São Paulo. A comédia tem no elenco atores convidados, como Bárbara Paz e Nathália Timberg, e faz duas apresentações em Curitiba, hoje e amanhã.
O título original da peça (''Importance of being earnest'') é um trocadilho intraduzível para o português entre o nome próprio ''Ernest'' e o adjetivo ''earnest'', que quer dizer confiável, esforçado, honesto, fiel. ''Mais importante que ser fiel é se chamar fiel'', brinca o diretor Eduardo Tolentino.
O espetáculo conta a história de John (Brian Penido Ross), amigo de Algernon (Dalton Vight). Para manter as aparências, ele adota o nome de Fiel. Esse nome incomum desperta a curiosidade de duas moças da aristocracia inglesa, Gwendollen (Eloísa Cichowitz) e Cecília (Bárbara Paz), que se apaixonam pelo nome do rapaz, já que sempre sonharam em casar com um homem ''fiel''. A mãe de Gwendollen, Lady Bracknell (Nathália Timberg) é contra essa união, pois sabe que o importante não é ''ser fiel'' e sim de boa família.
A montagem de 90 minutos faz parte de um projeto do Grupo Tapa de montar espetáculos que abordem a classe dominante. ''É uma tentativa de buscar as origens dessa classe'', conta Tolentino. O diretor sempre apostou no teatro naturalista para as suas montagens. Nesse espetáculo não é diferente, mas dessa vez a montagem conta com atores convidados e bastante conhecidos do grande público. ''Desde 1998 já discutíamos a possibilidade de montar o espetáculo, mas dessa vez coincidiu a agenda de todos os atores.''
Essa é a primeira vez que Tolentino trabalha com Bárbara Paz e Etty Fraser, por exemplo. ''Reunir atores, como Etty, Dalton e Natália, abre as portas em muitas cidades. Não deveria ser assim, mas produzir a turnê ficou mais fácil com esse elenco'', compara Tolentino.
A peça entrou em cartaz em outubro do ano passado, em São Paulo. Começou a turnê em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e pretende passar por outras cidades brasileiras. Enquanto isso, o Grupo Tapa, que acumula 23 anos de trajetória, continua em cartaz em São Paulo com a montagem ''Executivos'', do francês Daniel Bessa.
''Executivos'' já é a terceira montagem do grupo no projeto que deve reunir pelo menos dez peças, de épocas diferentes, abordando a classe dominante. Tolentino prefere não adiantar os outros títulos, mas diz que o projeto começou com a montagem do espetáculo ''Major Bárbara'', de Bernard Shaw, que estreou em 2000, precedendo ''A importância...''.
Quanto ao fato de continuar montando espetáculo ''clássicos'', apostando no realismo, quando o teatro brasileiro se volta principalmente a espetáculos multimídias, Tolentino é categórico. ''No resto do mundo, todos fazem todos os tipos de espetáculo, mas no Brasil existem esses modismos, que passam. Nós optamos por montar o teatro verdadeiro e vamos continuar assim'', diz, sem desmerecer as modernas montagens atuais.
O Grupo Tapa já encenou 34 espetáculos. No repertório, Shakespeare, Moliére, Ibsen, Maquiavel, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos e agora, o polêmico Oscar Wilde (1854-1900).
Além dos atores já citados, a peça ainda traz Brian Penido Ross, Eloísa Cichowitz, Paulo Hesse e Guilherme Santa'Anna. Os figurinos são de Lola Tolentino. A cenografia é assinada por Renato Scripilliti e a iluminação é de Nelson Ferreira. Na apresentação em Curitiba, Etty Fraser, excepcionalmente, não vai participar, já que ainda está muito abalada com a morte do marido, na semana passada.
Serviço: ''A importância de ser fiel'', hoje às 21 horas e amanhã às 19 horas, no Teatro Guaíra. Ingressos a R$ 25,00.


