Em Murano é possível ver nascer criações em vidro
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terça-feira, 29 de agosto de 2006
Adriana Del Ré<br> Agência Estado 
Para aqueles que visitam Veneza pela primeira vez, dar uma esticadinha até a Ilha de Murano é programa obrigatório. Pegando o ''vaporetto'' no ''ponto de ônibus'' San Zaccaria, que fica próximo à Praça San Marco, leva-se cerca de meia hora para chegar até Murano. Custa dez euros (ida e volta). Há ''vaporettos'' que realizam o trajeto direto ou na base do pinga-pinga. Fica a gosto do cliente.
Murano, na realidade, é um conjunto de ilhotas interligadas por pontes. Desde 1291, funciona como centro da indústria de vidraçaria, onde são produzidos os mundialmente famosos vidros Murano. Naquele ano, artesãos, fornalhas, fundições e tudo mais foram transferidos de Veneza para a ilha, como uma prevenção contra eventuais incêndios. Há quem diga também que fora uma maneira encontrada pelas autoridades italianas para preservar o segredo da arte em vidro. Instalados na ilha, os artesão foram aprimorando suas técnicas com o passar do tempo.
Hoje, o comércio de peças em vidro movimenta a região, que recebe turistas de toda parte, ávidos por compras. Quem estiver disposto pode andar horas e horas e conhecer as muitas lojas que contornam a ilha. Tire algumas horas de uma manhã para isso. É diversão para todos os bolsos. Quem quiser carregar para casa apenas uma lembrancinha encontra miniaturas de bichos, a partir de um euro. Um conjunto de seis copos para licor, coloridos, custam 15 euros em promoção.
Há casos de peças mais bem trabalhadas e, claro, mais caras. Copo para vinho pode sair pela bagatela de 72 euros, assim como um lustre banhado a ouro pode custar meros dois mil euros. Ou, quem sabe, um belo prato de Murano dourado, a 220 euros. Leve seu cartão de crédito, porque muitas lojas estão equipadas para aceitá-lo.
Além de bater perna e fazer compras, é de praxe o visitante dar uma passadinha nas fábricas que lá funcionam. Em uma delas, o artesão Giovanni, de 60 anos - e 49 dedicados ao ofício - recebe gentilmente os curiosos e faz uma pequena demonstração de seu trabalho. Com áudio explicativo em inglês, já que Giovanni só sabe falar italiano.
''São cores variadas; a vermelha é a mais difícil e, por isso, a mais cara'', explica ele, que deu forma a cavalos e garrafas em vidro. ''É um conhecimento que passa de pai para filho, não se aprende em escola'', ensina. Em outra fábrica, um dos artesãos explica que só se torna um mestre aquele que está 35 anos contínuos no ofício.
As fábricas não costumam cobrar entrada, mas, depois de o visitante conhecer uma delas e observar rapidamente o trabalho dos artesãos, é comum que se dê uma contribuição de, pelo menos, 1 euro.


