Em Minas Gerais o roteiro já é tradicional
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terça-feira, 06 de abril de 2004
José Maria Mayrink<br> Agência Estado 
São Paulo - Procissões à luz de velas, longos sermões, representações bíblicas e música barroca compõem o cenário das cidades históricas mineiras, no mais tradicional e completo roteiro do turismo religioso da Semana Santa. De São João del Rey a Diamantina, passando por Tiradentes, Congonhas, Ouro Preto, Mariana, Sabará e Serro, as igrejas do século 18 viram palcos de um teatro sagrado para reviver a paixão, morte e ressurreição de Cristo.
Os turistas acorrem de toda parte, principalmente de Belo Horizonte, Rio e São Paulo, ao lado de milhares de romeiros que saem em peregrinação das paróquias do interior para pedir graças e pagar promessas em santuários tradicionais. ''Vem gente até da Europa para as cerimônias'', informa o cônego José Feliciano Simões, pároco do Pilar e coordenador das celebrações em Ouro Preto. A programação é mais ou menos a mesma, com base no ritual da liturgia oficial, mas a ênfase varia conforme os costumes de cada lugar.
Oradores sacros de fôlego pregam nos púlpitos de São João del Rey, Congonhas, Mariana e Ouro Preto, onde os sermões das Sete Palavras, do Descendimento da Cruz e da Ressurreição de Cristo atraem multidões às praças das matrizes. ''Em São João del Rey, a procissão do encontro de Nossa Senhora das Dores com o Senhor dos Passos é um espetáculo comovente'', diz o padre Ramiro José Gregório, da catedral do Pilar, uma das igrejas que, ao lado do Rosário e de São Francisco de Assis, concentram as celebrações na cidade. Corais e conjuntos instrumentais, como a Orquestra Ribeiro Bastos e a Lira Sanjoanense, são uma atração à parte.
A Semana Santa, que se inicia no Domingo de Ramos e termina no Domingo da Ressurreição, conserva em Minas costumes que sempre acompanharam as celebrações oficiais. ''Em Ouro Preto, nós ainda fazemos a queima do Judas, só que na tarde de domingo'', diz o cônego Simões, referindo-se a uma brincadeira que antes se promovia no Sábado de Aleluia. ''A criançada, e até os adultos, se divertem quando a gente joga balas na praça, enquanto um boneco vai pegando fogo'', observa.


