Pela quantidade de teatros que possui, Maringá poderia ser uma das cidades com maior produção teatral do Estado. No entanto, de acordo com os mais ativos atores e produtores culturais locais, por questões financeiras, políticas e administrativas, isto não acontece. Dos oito espaços da cidade, cinco são da prefeitura e por causa da crise econômica que afeta os investimentos na Cultura em todo o País, estes espaços também apresentam problemas que vão desde a manutenção até o apoio logístico aos espetáculos locais.
O Teatro Regional Calil Haddad, inaugurado em 30 de dezembro de 1996, tem capacidade para 797 pessoas. Com o apoio da prefeitura, este teatro foi o que mais apresentou espetáculos teatrais em 98, a maioria de fora. Um marco no Calil Haddad foi a temporada de ‘‘Trair e Coçar... é Só Começar’’, recordista de permanência em cartaz no País há doze anos, e que em Maringá fez tanto sucesso que precisou fazer duas temporadas no ano.
Foi no mesmo teatro que aconteceu o ‘‘Paraná Faz Teatro’’, projeto da Secretaria de Estado da Cultura, que apresentou sete espetáculos paranaenses, dois de grupos locais. Também maringaense foi a montagem de ‘‘Em Família’’, de Oduvaldo Vianna Filho, que foi elogiado pela crítica. O resto da agenda do Teatro em 98 foi preenchida por academias de dança, festival de música e principalmente congressos e eventos empresariais.
‘‘Sentimos falta de uma melhor política de ocupação dos teatros maringaenses, em especial do Calil Haddad’’, diz o produtor teatral e ator Luthero Almeida que fez o ‘‘Em Família’’ e que gostaria de ter tido mais apoio para a montagem e divulgação do espetáculo. ‘‘O Teatro Calil Haddad é um espaço ótimo, com todas as condições para receber espetáculos de primeiro mundo. Mas falta para ele uma política de ocupação que privilegie as produções locais’’, diz Almeida.
Ele acha que falta um corpo técnico como maquinistas, iluminadores, cenotécnicos, que sempre são pagos à parte pelos produtores culturais. ‘‘Os espetáculos de fora têm todo o apoio, patrocínio, promoção e divulgação na mídia’’, aponta. Para o produtor, diretor e ator Pedro Ochôa que tem viajado com suas montagens pelo Estado, parece não haver uma pauta prévia ou planejamento no setor cultural público em Maringá. ‘‘Isso facilitaria a vida dos produtores teatrais locais que teriam mais incentivo e estímulo nas suas montagens.’’
No Cine-Teatro Plaza, antigo cinema adquirido pela prefeitura em 1990, cabem 675 pessoas. Segundo Almeida e Ochôa trata-se de um espaço belíssimo para se fazer teatro mas nunca foi adaptado para esta função. ‘‘Falta toda a estrutura cenotécnica, iluminação e equipamento de som’’, assinalam os artistas. ‘‘Pela localização privilegiada, no coração da cidade, poderia ser transformado em um grande espaço cultural. E até a antiga rodoviária, ao lado do ‘teatro’ poderia ser um complexo cultural ativo’’, sugere Almeida.
Ele lembra que tem dois grandes projetos de reestruturação destes espaços que estão engavetados. ‘‘Apesar das dificuldades econômicas, este seria o grande momento de reativar estas idéias’’, lembra o produtor teatral Luthero Almeida. Enquanto isso o Plaza é cedido pela prefeitura para eventos empresariais, educacionais e encontros religiosos. Em 98 o Plaza abrigou simpósios da Universidade Estadual de Maringá, um festival de música e festa de final de ano de escolas particulares.
A Secretária de Educação e Cultura do município, Mara Bernadete Sperandio Cremm, diz que dentro de duas semanas deverá se reunir com artistas e produtores culturais de Maringá para discutir, com cada setor, uma política de ocupação dos teatros. O Calil Haddad terá uma agenda para grupos teatrais de Maringá, segundo a secretária.Arquivo FolhaO teatro Calil Haddad, em Maringá, tem capacidade para 797 pessoas e foi o que mais apresentou espetáculos em 98, a maioria dos grupos veio de outras cidadesCelina Alonso Az
Especial para a Folha2

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