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Jorge Benjor: malhado pela crítica mas adorado pelos artistas da área pop/rock

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Max Cavalera

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Racionais MC’s

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Tequila Baby



Benjor abraçou o pop e o pop abraçou Benjor. O diálogo musical, insinuado desde o início da carreira do cantor e compositor carioca, atingiu o ápice nesta temporada.
Depois de recrutar uma dezena de artistas pop para participar de seu álbum Músicas para Tocar em Elevador, lançado pela Sony no final do ano passado, Jorge tem seu repertório vasculhado e regravado por nomes insuspeitos como o ex-Sepultura Max Cavalera, o grupo radical de rap Racionais MC’s e a banda punk gaúcha Tequila Baby.
Isso sem falar de Fernanda Abreu, que voltou a homenagear o ídolo no CD Raio-X com uma remixagem do hit ‘‘Jorge da Capadócia’’, e ainda do grupo recifence Nação Zumbi, que endereçou um convite ao bamba do suingue para dar uma canja no novo álbum (o primeiro sem Chico Science) previsto para chegar às lojas em março. O potencial pop de Jorge, no entanto, já tem história.
Referências O ôba-ôba começou há cinco anos quando sua música foi ‘‘descoberta’’ pela garotada e o funk ‘‘W/Brasil’’ virou trilha de verão. Na onda, grupos como Skank e Paralamas apareceram com regravações benjorianas. De lá para cá, sua influência sobre as novas gerações cresceu na mesma proporção com que as críticas a seus discos se avolumaram nas páginas dos jornais.
Numa explicação psicológica barata, foi como se Benjor quisesse ir de encontro à galera - mesmo ao custo de sacrificar a qualidade do trabalho com apelos comerciais - para compensar o longo período em que esteve relegado ao ostracismo. Com mais de trinta anos de serviços prestados à MPB, o artista imprimiu sua marca em álbuns antológicos como A Tábua de Esmeralda, África Brasil e Samba Esquema Novo.
Contemporâneo dos tropicalistas, ele armazenou múltiplas referências numa obra ímpar e irregular que sintetizou bossa nova, jovem guarda, soul, jazz, funk, samba, reggae e rock - um mix ao qual agregou exaltações ao Rio, às mulheres, ao futebol, ao balanço e à alegria de viver.
Punk Para perpetuar esse legado, Benjor reuniu vários artistas da área pop/rock em seu último CD, o que resultou em uma série de parcerias com nomes como Paralamas, Barão Vermelho, Cidade Negra e outros não menos famosos. Ao anfitrião coube apenas ‘‘colocar a voz’’ nas versões de seus hits.
Da mesma forma, os novos cultuadores de sua obra também estiveram à vontade para homenageá-lo seguindo estilos individuais e os gêneros em que atuam. Entre os que ‘‘traíram’’ as gravações originais do mestre desponta Max Cavalera que, em entrevista recente à Folha, declarou que deixou a música ‘‘Umbabarauma’’ irreconhecível.
A cover faz parte do novo álbum do roqueiro com previsão de lançamento para abril. Não foi diferente o tratamento conferido pelos Racionais MC’s à faixa ‘‘Jorge da Capadócia’’, transformada numa espécie de oração sombria na abertura do álbum Sobrevivendo no Inferno. E quem não se lembra do sacolejante ritmo que acompanha os versos de ‘‘Minha Menina’’, outro clássico benjoriano?
Pois no disco de estréia da banda gaúcha Tequila Baby, o que era malemolência sensual virou virulência punk.

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