Em Londrina, a produção literária é pequena nas prisões
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quarta-feira, 11 de setembro de 2002
Francelino França<br> Reportagem Local 
Na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), a produção literária é praticamente inexistente, se limita às redações e poemas dos alunos frequentadores da escola Naes Professor Manoel Machado. A escola funciona nas dependências da instituição. Nas aulas de redação, os internos têm a oportunidade de relatar seus pensamentos e sentimentos. Os temas mais recorrentes são a solidão e a liberdade (ou ausência). A Folha2 teve acesso ao material produzido nas aulas de redação dos alunos da escola da PEL. As expressões mais comuns nesses textos são família, Deus e liberdade.
Há evidentes traços de literatura confessional que abrange o sonho de liberdade, a necessidade de reintegração à sociedade, o perdão dos filhos e o reconhecimento dos erros. O interno Sinivaldo Domingos Neves expressou esse desejo de um dia alcançar a liberdade novamente na poesia ''Resista''. (resista porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço/ e que essa manhã bonita, ensolarada, sem algemas, nascerá para você em breve, desde que você resista).
Segundo a diretora da escola, Jussara Fedato, há um projeto de produção de texto, com a linguagem sendo usada numa perspectiva interacionista. Na PEL, há um jornal de periodicidade semestral, o ''Ponto de Vista do Detento'', com entrevistas e recados.
O ex-detento José Fidêncio Leonel, que assina Jofinel, enquanto cumpria pena lançou o livro ''O Sol No Horizonte'', uma miscelânea de diário de um detento e poesias. Outro ex-interno, Valdir Brussulo, também incursionou pela poesia. Com a poesia ''Minutos'', obteve o primeiro lugar num concurso de Poesias do Paraná em que participavam todas as escolas do Estado. A poesia integrou um livro de coletâneas.
A leitura se torna um estímulo para a produção. Eder Roberto Konzen, 25 anos, considera ''Hamlet'', de William Shakespeare, um de seus textos preferidos. ''Gosto de Hamlet principalmente pelo fato dele se impressionar com o fantasma do pai e isso levá-lo à loucura'', afirma. O interno escreveu um texto curto com cinco personagens ''Acabando com a Dengue'', direcionada à prevenção da doença. ''Acho importante escrever, ocupar o tempo ocioso através da arte.'', revela. Em seus escritos sobre o sistema penitenciário, Eder Konzen diz ''fomos condenados a perder a liberdade, não os demais direitos. O importante é que cada um possa tirar de seus erros um aprendizado e uma lição de vida, para que assim não volte a errar''.


