''Por que eu escrevo? Para me manter viva''. Essa frase, dita ao biógrafo e escritor José Castello, em 1976, apenas sugere uma porção de toda profundidade e talento da escritora Clarice Lispector. Em homenagem ao aniversário de um ano do Museu da Língua Portuguesa, a escritora será tema de uma mostra temporária, aliando ao fato de que este ano se completa três décadas de sua morte.
A exposição será inaugurada no início de abril e permanecerá por quatro meses no museu, acompanhada de uma programação paralela de palestras, além de um ciclo de de longas e curtas-metragens baseados na obra de Lispector. A curadoria de Júlia Pelegrino, cenografia de Daniela Thomas e seleção de textos de Ferreira Gullar.
''A exposição será construída a partir do texto de Clarice. É nas frases atordoantes - relâmpagos que subitamente iluminam o leitor - que a escritora revela o olhar agudo e, muitas vezes, perplexo com que examina a vida cotidiana'', explicou Antônio Carlos Sartini, superintendente-executivo do Museu da Língua Portuguesa.
Nascida na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920, a escritora veio ao Brasil com dois meses de idade. Sua primeira língua foi o português. A escritora faleceu na Cidade do Rio de Janeiro, em 1977, no dia 9 de dezembro, ou seja, um dia antes de seu aniversário.
Clarice percorreu com particularidade os caminhos da alma humana, esta lacuna sombria, repleta de dúvidas e incertezas. Segundo ela, sua obra não é para ser compreendida, mas para ser saboreada, apreciada. Seu entendimento não nasce da razão, mas sim do sentimento. (L.O.)

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