Em Havana, cubanos não abandonam alegria de viver
Uma visão mais crua e não menos apaixonante do povo de Havana é o que promete o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez. Uma boa amostragem é oferecida nos dois de seus livros já publicados no Brasil, Trilogia Suja de Havana e O Rei de Havana, ambos pela Companhia das Letras. Lá, vivem pessoas marcadas pela pobreza, mas que jamais desanimam e nunca abandonam a alegria de viver.
O íntimo conhecimento da classe menos favorecida veio de seus 26 anos como jornalista, como contou quando veio ao Brasil, em maio, para a Bienal de livros do Rio de Janeiro. ''Muito do que apurei não pôde ser publicado, mas ficou guardado em minha memória até o momento em que consegui escrever os livros'', comentou o escritor, cuja obra não foi ainda editada na ilha. ''Mas, para minha felicidade, lá circulam edições espanholas.''
A visão da capital cubana, sob o olhar de Gutiérrez, certamente será algo distante do que é oferecido aos turistas, que se deliciam em hotéis de inúmeras estrelas e pouco contato têm com a realidade. Como de hábito, o escritor vai oferecer uma prosa que não abre muitas concessões ao bom gosto burguês, mas encanta justamente pela crueza.
Menos apaixonado, mas tão encantado, o australiano Peter Carey oferece uma desvairada visão de Sydney. Como mora há dez anos em Nova York, ele conseguiu manter a distância no tempo e no espaço para conferir se realmente são deslumbrantes os atributos da cidade, apregoados por seus entusiasmados habitantes. Uma dose de equilíbrio que traz mais charme à coleção ''O Escritor e a Cidade''. (U.B./AE)





