Mauro Dias
Agência Estado
Wagner Tiso aprendeu música ouvindo rádio, aperfeiçoou-se tocando em bailes. Tornou-se um dos maiores arranjadores da música brasileira. Com o tempo, e o conhecimento, questionou os limites que separam a música popular e a clássica - em princípio as isolam em suas categorias. Tanto nos arranjos (especialmente os que escreveu para Milton Nascimento, seu companheiro desde o início, também aprendiz de ouvido e de bailes) quanto nos discos solo, e nas composições, o questionamento é claro - melhor do que isso, a expectativa de transpor as barreiras realiza-se, em maior ou menor grau.
Wagner Tiso está lançando seu 27º disco. O crossover do clássico ao popular é o tema explícito: ‘‘Debussy & Fauré Encontram Milton & Tiso’’ (selo Visom). Foi gravado ao vivo, na Sala Cecília Meireles, no Rio, no dia 11 de setembro do ano passado. É o primeiro de uma pretendida trilogia. Outras aproximações virão.
Hoje, no Teatro Municipal do Rio, Wagner rege a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), que terá como solista o cantor e compositor Milton Nascimento. É a primeira vez que Wagner rege a OSB, embora sua experiência com grandes orquestras venha de longa data.
‘‘Em Debussy & Fauré Encontram Milton & Tiso’’, Wagner escreveu arranjos (e sola à frente) do Rio Cello Ensemble. Transpôs as partituras originais dos autores franceses para o quarteto de violoncelos, formado por David Chew, Márcio Mallard, Hugo Pilger e Fernando Brú. Abre com o ‘‘Prelúdio da Suíte Bergamasque’’, de Claude Debussy, segue com ‘‘Apres un Rêve’’, de Gabriel Fauré, aproxima-os de seu próprio ‘‘Choro de Mãe’’ - e é como se o prelúdio e o depois do sonho ganhassem a dolência de um despertar suburbano, uma cadência de andar em ruas calçadas de pedras.
O espetáculo de hoje não repete o disco. Ao lado do amigo companheiro de longos anos e parceiro, Tiso escolheu músicas do repertório de ambos, com ênfase no de Milton, mais vasto. Mas incluiu suas ‘‘Rapsódia Trespontana’’ e ‘‘Nascimento’’ - na gravação original de ambas, o solista era Milton. Será a primeira oportunidade de apreciá-las ao vivo. Ainda de Wagner, ‘‘Rapsódia’’. De Milton, estão no repertório obras como ‘‘Tarde’’
(parceria com Márcio Borges), ‘‘Canção do Sal’’ (com Fernando Brant), ‘‘Cais’’ (com Ronaldo Bastos) e peças do show (gravado em 1974, disponível em CD) ‘‘Milagre dos Peixes ao Vivo’’.

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