Depois de Georges Lucas e suas trilogias estelares, eis aqui outro - aliás bem outro - Lucas, o belga Belvaux. Muito menos espetacular, mas tão virtuoso quanto seu homônimo americano. O segundo tempo de sua trilogia, após ''Um Casal Admirável'', está entrando hoje no circuito local. Uma trilogia que é de fato uma aventura, uma experiência nova construída com peças que vão formando um painel humano tão variado quanto rico.
''Em Fuga'' (Cavale), a partir de hoje na sala alternativa da cidade (confira a programação de cinema na página 2), é um policial duro e contrastado, com personagens em permanente fuga. Um admirável trabalho de fotografia, com largos passeios de câmera e grandes planos, enriquece a reflexão que o filme propõe acerca da legitimidade da violência política.
Interpretado pelo próprio Lucas Belvaux, que também é bom ator além de roteirizar e dirigir, o personagem Bruno Le Roux passou 15 anos preso cumprindo pena como terrorista de extrema esquerda. Agora é um fugitivo. Mesmo se mantendo idealista, ele não tem dúvidas de que foi um tempo de mudanças pelo mundo, este que passou atrás das grades. Perseguido, ele encontra e mantém uma ligação com Agnes (Dominique Blanc), uma viciada em drogas.
Há vários elementos que ligam os três filmes (o terceiro e último, na próxima semana, é ''Acordo Quebrado''), entre eles as mulheres, todas professoras de uma mesma escola. Mas o que conta de verdade como ligação é o sentimento de angústia (e de paranóia) que, em graus variados, habitam os personagens. O sofrimento dos três casais nos três filmes se movimenta em crescendo. É relevante notar que uma mesma cena, talvez mais leve a até divertida num dos títulos, se repete se forma sombria em outro. E algum juízo que o espectador possa fazer de um ou outro personagem num dos títulos provavelmente não será o mesmo nos outros.
A trilha sonora de Ricardo Del Fra desempenha papel considerável na trilogia, enriquecendo particularmente o desenho dramático. (C.E.L.J.)

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