Em forma e respeitando limites (Elisiê Peixoto - Cá prá nós)
Elisiê Peixoto Cá prá nósEm forma e respeitando limites
Fã incondicional de uma academia de ginástica, ao lado de outros não menos obcecados por uma malhação - faça sol, chova canivete, eles não faltam -, aprendi que existem regras de bem conviver também numa sala de ginástica ou de musculação. E que devem ou deveriam ser seguidas.
Hoje em dia tornou-se quase que obrigatório malhar, pular, fazer qualquer coisa que nos livre daqueles olhares indignados e lançados por quem está sempre com o corpinho em dia, com tudo durinho e nos trinques. Malhar só faz bem. Mas, para que isso não se torne um problema para os companheiros de abdominais, há limites que devem ser respeitados.
Primeiro, academia não é passarela de moda. Coisa mais feia gente que se produz toda para suar a cântaros, se encharca de perfume, coloca todos os badulaques e jóias e cai feito um pára-quedas naquela horinha que você decidiu fazer os exercícios do dia. Quem suporta um perfume Chanel às 3 horas da tarde, misturado com o suor que exala por todos os poros? Penso que a pessoa que o usa não deve se incomodar com o cheiro ou então não tem o narizinho tão apurado como o meu. Depois de alguns abdominais, mesmo o perfume mais caro do mundo faz o efeito contrário e coloca pra correr qualquer dono de corpinho atlético que estiver no seu pedaço.
Suar bastante não é motivo de vergonha pra ninguém, ajuda a eliminar gordurinhas e não faz mal algum. O bom senso então manda ter sempre à mão uma toalhinha, se você é daquelas que ensopa a camiseta e arrasa com o colchonete. E cada vez que usar um aparelho, a boa educação pede uma passada de álcool no assento ou no guidão da bicicleta. Uma atitude tão simples, sinônimo de respeito com o próximo usuário malhador.
Existem roupas próprias para malhar. E variações de modelitos não faltam, caso você goste mesmo de exibir o corpinho com tudo em cima - e o que é bonito deve ser mostrado mesmo. Mas peruagem não. Se teu ladinho frufru é chegado numa legging estampada, num top verde-limão, numa piranha rosa para cabelo e num tênis made in China, que só falta ter aquelas luzinhas piscando no calcanhar, melhor fazer ginástica em casa, assistindo aos programas da Sport TV e ESPN e poupar a visão alheia.
Tem gente que detesta bater papo enquanto faz esteira. Mesmo porque, lá não é lugar para relatar o balacobaco que rolou com o marido, as inúmeras dietas sem sucesso que já fez ou a insatisfação de ver o teimoso Zagallo como técnico da Seleção Brasileira. Gente que fala demais enquanto faz esteira deveria ser multada. Porque incomoda qualquer cristão a fim de se concentrar sobre aquela máquina que o fará suar em bicas durante uma hora. Convenhamos, fazer esteira já não é nenhuma maravilha, imagine com uma pessoa ao lado, esbaforida e falando por três. Eu fico completamente tonta.
Os anos, todo mundo sabe, não melhoram o visual de ninguém. E se você já bateu a casa dos 30, 35 ou 40 anos, por mais enxuta que esteja, vai ter um corpinho que está na batalha há algumas décadas. Então, nada de querer se comparar a um broto de 18 anos, que mal sabe o que são estrias de gravidez. Short curtinho é feito para quem tem bumbum durinho e pernas bonitas. Top curtinho é permitido para as barriguinhas retas e peitos em posição de sentido.
Existem apenas duas maneiras de ter pernas maravilhosas. Ou se nasce com elas ou é preciso malhar muito para consegui-las. E em relação ao resto do corpo, é a mesma coisa. E se mesmo trintona ou quarentona você se enquadra no padrão de beleza nota 10, use e abuse dos modelitos mais charmosos. Prove que com muita malhação é possível, sim, enfrentar aquele espelho de provador de roupa sem passar raiva.
Se por um lado existem as peruas incorrigíveis numa academia de ginástica, do outro existem os donos de corpos atléticos que se amam, se adoram, fazem malabarismos em frente ao espelho e ciscam perto das moças o tempo todo. A grande maioria só fala no mesmo assunto: bíceps, peitoral e coisas do gênero. Erguem um absurdo de peso com aquela cara superfeliz, como se estivessem levantando uma pluma. Suam, sim, mas com muita classe. Se seu objetivo é conquistar um broto musculoso, melhor estar com tudo nos conformes. Porque, com certeza, ele vai notar aquele seu pneu e desaparecer feito um raio.
Mais uma dica. Sala de aula não é lugar para colocar o tricô em dia. Mesmo à revelia dos professores, há malhadores que perturbam o bom andamento das aulas e tiram a concentração de quem está a fim de caprichar nos exercícios. Enquanto uma sua no abdominal, a outra - sentada ao lado -, desanda a falar abobrinha, numa total falta de respeito com os outros malhadores. Gente assim deveria ficar em casa pendurada no telefone, comendo chocolate e acumulando calorias.
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