O 16º Ciclo Afro-Asiático apresenta hoje e amanhã, às 20 horas, uma pequena mostra da filmografia indiana no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. O Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (NEAA) da Universidade Estadual de Londrina, promotor do evento, trouxe para o Brasil cópias de dois filmes - legendadas em português e espanhol - que exibem um pouco da cultura milenar indiana.
O cartaz de hoje é ''Mirch Masala'' (''Tempero com Pimenta''), filme de Ketan Mehta, que será apresentado com legendas em português. Segundo o professor Eduardo Judas Barros, coordenador do NEAA, a história do filme se passa durante a colonização inglesa na Índia e representa a luta da mulher. O cenário é uma pequena vila de Saurashtra (norte da Índia), comandada por poderosos proprietários de terra.
A história começa quando um oficial do governo (o subedar) é enviado para coletar impostos na vila e, ao chegar, encontra a encantadora Sonbal. Ao notar o interesse pela moça, o povo resolve oferecê-la ao oficial, cumprindo o costume local de receber o subedar com presentes. No entanto, ela e um grupo de mulheres desafiam a autoridade do oficial e a vontade da vila. O filme tem 1h45 de duração.
Amanhã, a programação traz o filme ''Ek Din Prati Din'' (''Silenciosamente a Madrugada e o Dia Vão Passando''), de Marinal Sen. O drama, que aborda o preconceito da sociedade indiana contra as mulheres, traz a história de Chinti, uma jovem responsável pelo sustento da família. Uma noite após o trabalho, a moça não retorna para a casa e a família começa a se preocupar. O estudante Minu percebe a importância - até então nunca demonstrada - de Chinti para os parentes. Só que a garota retorna para casa no dia seguinte e é recebida como se nada tivesse acontecido. A duração do filme, com legendas em espanhol, é de 80 minutos.
Essa é a segunda mostra de filmes indianos organizada pelo NEAA. Na opinião de Barros, a boa receptividade do público londrinense é esperada. ''Primeiro porque a entrada é franca e isso já é um atrativo. E também há uma curiosidade grande sobre questões da Índia'', avalia.
O professor acredita que o cinema indiano tem conquistado admiradores no Ocidente. ''Na América Latina, por exemplo, há salas no Uruguai e no Peru que exibem produções da Índia'', relata. ''Já no Brasil, os produtores indianos ainda não conseguiram fazer seus filmes entrarem no mercado porque as distribuidoras são todas dominadas por multinacionais (principalmente americanas)''.
A Índia - o maior centro de produção cinematográfica do mundo - tem como marca característica de seus filmes a inserção de muita dança e música. ''Esses filmes se tornam populares quanto mais as suas músicas são tocadas nos restaurantes'', comenta Barros. Ele conta que em seu país de origem chega-se a produzir até um filme por semana na língua hindi (idioma oficial). ''Mas também há uma grande quantidade de produções em outras línguas, como malayalam, cenelegu e tamil''. Outra característica do cinema indiano é que a produção das películas não depende do Governo. ''As produções são pagam com a bilheteria. O sucesso depende do público''.
•Mostra de filmes indianos do 16º Ciclo Afro-Asiático de Londrina. Hoje, às 20 horas: ''Mirch Masala''. Amanhã, às 20 horas: ''Ek Din Prati Din''. As sessões acontecem no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). A entrada é franca. Promoção: Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da UEL e Embaixada da Índia.

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