EM FOCO - Anima Mundi começa hoje no Rio
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quinta-feira, 28 de junho de 2007
Marco Aurélio Canônico<br> Folhapress 
A produção brasileira voltou a ser majoritária na 15 edição do Anima Mundi, após ter sido superada no ano passado pela indústria britânica. O festival de animação começa hoje no Rio de Janeiro e segue, no dia 11 de julho, para São Paulo.
O país tem 68 títulos (dois a mais que em 2006) entre os 368 da programação, feita a partir de uma seleção entre 1.228 filmes do mundo todo. ''A produção brasileira está madura. Este ano há vários filmes nacionais de ótima qualidade'', diz Aída Queiroz, uma das diretoras do festival.
Além dos destaques em ''Vida Maria'' e ''Até o Sol Raiá'', o nordeste também aparece como tema de produções feitas por gente de outros cantos, como o brasileiro radicado em Israel Ricardo Werdesheim, que criou o curta ''Celestina'' inspirado em canção de Gilberto Gil.
Há ainda ''Disputa entre o Diabo e o Padre pela Posse do Cênte-Fór na Festa do Santo Mendigo'', de Francisco Tadeu e Eduardo Duval, que já no título remete aos cordéis e xilogravuras nordestinas.
Como de praxe, o país tem uma sessão inteira dedicada apenas às suas produções, a Panorama Brasil, onde destaca-se ''Dalva & Peri'', na qual Otavio Escobar recria o dueto entre Dalva de Oliveira e seu filho, Pery Ribeiro, na canção ''Ave Maria''.
Novos talentos - Um garoto de São Carlos (SP), dois jovens amigos de Recife, um gaúcho radicado em Fortaleza: a animação brasileira está ganhando novas caras e moradas fora do antes intransponível eixo Rio-São Paulo. Um panorama destas novas produções também poderá ser conferido no Anima Mundi.
São artistas como Jonas Brandão, 22, o paulistano que saiu do núcleo de animação da Universidade Federal de São Carlos para ser um dos primeiros estrangeiros a participar do programa Hot House, do badalado National Film Board do Canadá.
Ele foi convidado pelo Anima Mundi para falar sobre sua experiência e mostrar o curta que produziu durante o programa canadense. Na nova safra de animações brasileiras, vem ganhando destaque a produção de origem e temática nordestina.
Apoiados por leis de incentivo em Estados como Ceará e Pernambuco, jovens animadores estão deixando, ao menos temporariamente, a publicidade - seu meio mais regular de trabalho - e investindo em produções autorais de curtas.
Caso exemplar é o de Marcio Ramos, 35, o gaúcho criado em Fortaleza. Com os R$ 50 mil que ganhou do Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo, em 2003, trabalhou sozinho em seu computador, por dois anos, para criar o excelente ''Vida Maria''.
O curta, premiado em diversos festivais de cinema brasileiros, conta a história da menina Maria José, habitante do sertão nordestino forçada a largar os estudos para trabalhar. Os amigos Fernando Jorge, 25, e Leanndro Amorim, 24, de Recife, têm história parecida.
Inscreveram o roteiro de ''Até o Sol Raiá'' - uma história de Lampião na qual os personagens são bonequinhos de barro - em um concurso de patrocínio público, venceram e tocaram em frente, criando até mesmo um estúdio próprio.
''Os dois filmes nordestinos são de ótima qualidade, demonstram o florescimento dos núcleos de animação por todo o Brasil'', afirma Marcos Magalhães, um dos diretores do Anima Mundi.
Tributo - A chegada do Anima Mundi à sua 15 edição, consolidado como um sucesso de público, deve muito ao escocês Norman McLaren (1914-1987). O criador do departamento de animação do National Film Board do Canadá - onde orientou Marcos Magalhães, um dos criadores do Anima - ganha, nesta edição, uma retrospectiva com seus principais trabalhos, em cópias restauradas.
McLaren é considerado pelos criadores do Anima ''patrono'' do primeiro acordo cultural Brasil-Canadá, nos anos 80, que incentivou o desenvolvimento da animação no país e deu origem ao grupo que viria a criar o festival.
''Nós quatro somos provenientes deste acordo entre Brasil e Canadá. Surgiu, agora, a oportunidade de homenagearmos Norman McLaren da melhor forma, que é exibindo a obra dele'', diz César Coelho, um dos criadores.
Entre as obras que serão exibidas estão o clássico ''Neighbours'', vencedor do Oscar em 1952, e ''Blinkity Blank'', ganhador da Palma de Ouro, de Cannes, em 1955.


