André Bernardo
TV Press
Enquanto não estréia para valer na Globo, Serginho Groissman vai fazendo aparições aqui e ali. A partir de hoje, por exemplo, ele passa a apresentar um quadro no ‘‘Fantástico’’
Desde que estreou na tevê em 1988, quando apresentava o extinto ‘‘TV Mix’’ pela TV Gazeta, Serginho Groissman nunca ficou tanto tempo longe do vídeo. Em julho do ano passado, assinou com a Globo após oito anos à frente do ‘‘Programa Livre’’, do SBT. O contrato incluía um programa na tevê aberta, um ‘‘talk show’’ na tevê a cabo e um projeto voltado para a educação. A estréia oficial de Serginho na Globo aconteceu há um mês, quando passou a apresentar o ‘‘Ação’’ aos sábados pela manhã. Hoje, Serginho se mantém na linha educacional ao estrear, hoje, como apresentador do quadro ‘‘Professor do Mês’’, do ‘‘Fantástico’’, em lugar de Tony Ramos. ‘‘Nunca tive de me preocupar com audiência. Agora, estou entrando nesta briga, que considero interessante’’, avalia.
Na nova emissora, Serginho Groissman promete manter a mesma postura ética e independente do tempo da Cultura e do SBT. A partir de março, ele começa a apresentar um ‘‘talk show’’ diário na Globo News. Ao contrário de programas similares, ele vai lançar mão dos mais variados recursos audiovisuais para narrar a trajetória de cada entrevistado. Além disso, Serginho ganha também um programa de debates no Canal Futura, onde planeja discutir assuntos ligados à educação, como salário de professores. ‘‘Sempre tive vontade de fazer um trabalho voltado para a área de educação’’, confessa.
Embora já venha aparecendo na tevê em doses homeopáticas, Serginho Groissman se diverte quando alguém pergunta por que ele anda tão sumido. O criador do bordão ‘‘Fala, garoto!’’ disfarça a ansiedade e fala que a demora na estréia do programa se deve ao cronograma da Globo. Aos 50 anos de idade e 22 de carreira, ele demonstra segurança ao afirmar que não teme o fantasma do ostracismo ou do esquecimento.
O que você achou do convite da Globo para apresentar o quadro ‘‘Professor do Mês’’?
Achei bacana. Quando tratei da minha vinda para a Globo, visualizei três caminhos a serem percorridos: um programa na tevê aberta, um ‘‘talk show’’ diário na tevê a cabo e um trabalho voltado para a área de educação. Sempre quis fazer isso. Ou seja: o quadro no ‘‘Fantástico’’ não é um tiro no escuro. Sei o que estou fazendo. Todo mês, a Globo promove uma eleição entre os professores de diferentes estados para escolher o que tem a característica mais marcante.
O Luciano Huck e o Zeca Camargo já têm um perfil de público bastante parecido com o seu. Você não teme ser mal aproveitado na Globo?
Isso não chega a ser uma preocupação. Nem para mim e muito menos para a emissora. O tempo vai mostrar que somos bastante diferentes um do outro. É a mesma coisa que comparar apresentadores de telejornal ou atores de novela. A Globo tem espaço para todo mundo. Não acho que o fato de os programas serem parecidos entre si ou de terem o mesmo público-alvo possa gerar problemas de convivência na grade da Globo.
A que você atribui a demora na estréia do seu programa na tevê aberta?
Não há uma dificuldade específica. O problema é de cronograma mesmo. Na verdade, não quero pegar o que eu fazia no SBT e trazer para a Globo. Para fazer isso, eu continuaria lá. Quero incorporar novos elementos. O que posso adiantar é que o meu programa vai misturar entretenimento e jornalismo. Quero lançar mão dos recursos tecnológicos que o jornalismo da Globo dispõe. Há sempre uma câmera portátil para entrar não sei de onde. Ou o helicóptero que mais parece um estúdio de tevê. Ando antenado com tudo isso. É claro que essas coisas vão ter um peso diferente caso o programa seja diário ou semanal. Se for diário, vai ser de um jeito. Se for semanal, vai se de outro.
Qual a sua preferência quanto à periodicidade?
Prefiro que seja diário e ao vivo. Mas o semanal também é um bom desafio.
Caso o programa seja semanal, você não teme de as pessoas elucubrarem que perdeu espaço ao vir para a Globo?
Acho que essas elucubrações vão perder sentido à medida que o programa compensar em qualidade e interesse. O programa só vai ser semanal se eu achar que ele fica mais interessante assim. As elucubrações, porém, são inevitáveis. O fato de eu não estar no ar já é motivo suficiente para elucubrações. Algumas pessoas já falaram: ‘‘Ah, tá vendo? Já botaram ele no sábado de manhã...’’ Se não estivesse no ar, seria pior ainda...
Você não acha que essa demora pode enfraquecer sua imagem junto ao público?
Particularmente, sinto falta. Talvez até mais que o público. Quando esbarro com as pessoas na rua, todo mundo pergunta a mesma coisa: ‘‘Quando estréia? Quando estréia?’’ Não tenho medo do ostracismo ou do esquecimento. O que importa é que vim para cá atrás de mudanças. O desafio maior é o de trabalhar numa emissora que tem o compromisso de estar sempre em primeiro lugar. E o que é melhor: trabalhando com qualidade. Isso é muito legal. Você consegue aliar audiência com qualidade? Este é um desafio que tenho de superar. Não aceito audiência a qualquer preço. Se não, perdeu sentido fazer tevê no Brasil. Se começo a achar que só porcaria dá audiência, estou perdido.