Para Amaury Júnior, o segredo de uma boa audiência é, em primeiro lugar, contar com um bom entrevistado. ‘‘Se não tiver uma boa atração, que não renda um bom papo, até minha mãe muda de canal’’, ironiza o apresentador, considerado o pioneiro no colunismo eletrônico da tevê brasileira. A receita parece estar dando certo. Há 18 anos, Amaury comanda o ‘‘Flash’’, que anima as madrugadas da Band, e há pouco mais de um mês ganhou um novo programa. ‘‘Fino Trato’’ é uma revista eletrônica com entrevistas, debates, dicas de saúde e entretenimento, exibida de segunda a sexta às 11 horas da manhã.
Nesta nova fase, Amaury não esconde a surpresa com a boa audiência dos programas. O ‘‘Fino Trato’’ vem mantendo uma média de três pontos no Ibope, enquanto o tradicional ‘‘Flash’’ chega a dar até sete pontos de pico de audiência. ‘‘Isto comprova que estamos indo no caminho certo’’, comemora Amaury. No horário em que é exibido o ‘‘Flash’’, por exemplo, ele concorre com atrações como ‘‘Programa do Jô’’, ‘‘Perfil’’, comandado por Otávio Mesquita, e ‘‘Programa Livre’’, apresentado por Babi. ‘‘Há espaço para tudo mundo. Mas volto a insistir: o público não é fiel somente ao apresentador. Ele quer ver uma boa atração’’, enfatiza Amaury.
Qual o segredo para não deixar o ‘‘Flash’’ repetitivo nestes 18 anos que o programa está no ar?
Ser criativo e ter consciência que uma única pessoa possa render várias entrevistas. A Maria Bethânia, por exemplo, já entrevistei várias vezes. Como é uma das principais cantoras deste país, sempre é bom dar uma revistada em sua carreira. Se ela não estiver lançando um novo disco, posso fazer a Bethânia falar sobre a privatização do Banespa, por exemplo. O público quer sempre saber o que seu artista preferido está pensando.
Muita gente pede para ser entrevistada no seu programa?
No Brasil todo mundo se sente talentoso. E o que percebo hoje em dia é que todo mundo quer virar uma pessoa pública e reconhecida, principalmente como artista. Quando vou numa festa, vejo muita gente circulando perto de mim para ser entrevistada.
Qual foi a maior ‘‘saia-justa’’ que você enfrentou na tevê?
Quando ainda trabalhava na Gazeta, de São Paulo, no início da década de 80. Fui convidado para cobrir ao vivo a festa de inauguração de uma casa noturna na capital. Os donos da boate confirmaram a presença de Christopher Reeve, que fez o ‘‘Superman’’. Lá para altas horas, vi um cara parecido com Christopher chegando na festa. Me aproximei dele e já fui logo entrevistando, quando o rapaz me falou: ‘‘Amaury, eu sou o Paulo Antônio, de São Bernardo do Campo. Você está me confundindo’’. Foi o maior mico de minha carreira. Eu amarelei na hora.
E as entrevistas mais marcantes?
Uma que fiz com João Gilberto, quando ele se apresentava no Palace. Como conhecia os donos da casa, eles me levaram no camarim. Para minha surpresa, o João Gilberto disse que acompanhava meu trabalho. Não resisti e pedi para ele me dar uma entrevista. Ele relutou, mas acabou aceitando, a pedido de uma tia dele que o acompanhava. Mas quando fui chamar minha produção, que estava do lado de fora do camarim, ele havia se escondido no banheiro. Com a ajuda do jornalista Nelson Motta, ele acabou falando comigo 58 palavras. Bastaram para repercutir em toda imprensa nacional no dia seguinte. Outra entrevista que repercutiu muito foi com ex-presidente Fernando Collor, quando ele se refugiou nos Estados Unidos. Fiz ele dar notas de 0 a 10 para vários políticos brasileiros. Foi uma celeuma e depois também virou destaque em vários jornais brasileiros.
O ‘‘Flash’’ costuma fazer coberturas pagas de eventos. Você acha que o público consegue discernir quando o Amaury Jr. está fazendo uma entrevista ou vendendo um produto?
É claro que sim. A televisão vive de anúncios também. Então, acho normal a minha equipe ir cobrir a inauguração de um hotel ou um desfile. O que estamos fazendo é colocar uma tarja no canto do vídeo avisando ao telespectador que é uma matéria comercial.

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