Em discussão, a arte contemporânea
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Érika Pelegrino 
O momento é de dúvidas e confusão quando se fala de arte contemporânea. O que é bom? O que não é? Aqueles que estão mais em evidência são os que realmente produzem os melhores trabalhos? De acordo com alguns artistas de Londrina que estão expondo na V Semana de Arte as respostas para tais perguntas não podem ser dadas neste momento. Só o tempo e o trabalho é que poderão responder a essas indagações.
Referindo-se à palestra Como a Imprensa Escreve a História da Arte Brasileira, que aconteceu na segunda-feira dentro da programação do evento, os artistas plásticos afirmam que quem não está confuso não está antenado. Todos estão muito confusos: críticos, artistas e o público, afirma Tânia Tokairin.
Regina Menezes: Ainda há muita verificação, há muita experiência sendo realizadaUma das dificuldades que envolvem a arte contemporânea é a quase obrigação de ser entendida e reverenciada agora, já. Van Gogh, por exemplo, não foi compreendido em seu tempo, só bem mais tarde é que seu trabalho foi reconhecido, exemplifica Tânia Tokairin. A artista plástica e jornalista Regina Menezes complementa: Tudo é muito recente, ainda há muita verificação, há muita experiência sendo realizada.
Tânia Tokairon explica que dentro deste contexto embora seja muito importante estar expondo na V Semana de Arte junto com outros artistas de diversos lugares, isto não significa consolidação do sucesso. Nós estamos todos passando por uma peneira, exemplifica Regina Menezes.
Ou seja, só depois de algum tempo é que há uma compreensão mais nítida do significado do trabalho dos artistas plásticos. Neste contexto de dúvidas, de dificuldades de se compreender a linguagem dos artistas contemporâneos é muito comum escutar algo do tipo Isto até meu filho sabe fazer. Todo mundo já passou por isto, frisa Regina Menezes.
Já Tânia Tokairon destaca ainda que outra dificuldade da arte contemporânea é que sempre irão aparecer supostos artistas que farão qualquer coisa e batizarão de arte contemporânea. Mas tem que ver se há um pensamento por trás deste trabalho. Se o artista está raciocinando a obra, afirma. Aparentemente uma obra pode parecer muito fácil de fazer, mas quero ver na hora de pensar a obra- conclui Tânia.


