São Paulo – Desde os ataques terroristas a Nova York e ao Pentágono, em setembro passado, a pesquisadora britânica Karen Armstrong intensificou suas palestras pelos Estados Unidos – ex-freira e agora estudiosa de religiões, ela se especializou em reunir conceitos que buscam derrubar a imagem do islamismo como uma fé de extremismos. Foi a mensagem que tentou passar nos encontros com os americanos. ‘‘Para a maioria deles, Osama bin Laden é a melhor representação do Islã hoje’’, contou Karen. Conceitos semelhantes compõem a palestra da qual ela participa hoje, às 17 horas, no Salão de Idéias da 17ª. Bienal do Livro.
‘‘Foi a primeira vez que os Estados Unidos, país que ajudou a fomentar o fundamentalismo belicoso, sofreram um ataque dessas proporções, o que os deixou desnorteados’’, conta a pesquisadora que, mesmo nos encontros com congressistas e com membros das Nações Unidas, teve de responder sempre à mesma básica pergunta: ‘‘O que os islâmicos pensam de nós?’’
O desnorteamento provocado pelos atentados fez com que surgisse uma revolução espiritual entre os americanos, diferentemente do que ocorre na Inglaterra e no norte da Europa. ‘‘Se inicialmente os ataques confirmaram a visão arraigada de que os islâmicos são um povo violento, logo os americanos começaram a ler mais a respeito, além de frequentar centros espirituais para conhecer algo mais sobre aquele povo misterioso para eles.’’
O desconhecimento sobre o islamismo, religião seguida por 1,2 bilhão de muçulmanos (um quinto da população mundial), na verdade, espalha-se entre os comandantes da nação – quando o presidente George W. Bush declarou a guerra contra o Afeganistão, ele utilizou erroneamente a palavra ‘‘cruzada’’ para atrair o apoio de outros povos islâmicos.
‘‘Foi algo inconsciente e revela uma profunda ignorância, pois ‘cruzada’ simboliza uma ação com finalidade normalmente violenta’’, comenta Karen. ‘‘Seria o mesmo que evocar o holocausto para atrair apoio dos judeus.’’ Além de esclarecer pensamentos errôneos, a pesquisadora aproveita suas palestras para divulgar as idéias do profeta Maomé (570?-632), tema do livro que está lançando agora no Brasil: ‘‘Maomé - Uma Biografia do Profeta’’ (Companhia das Letras).
‘‘Podemos aprender com ele a alcançar a paz, pois sua primeira prioridade era eliminar o ódio e o desprezo entre os povos’’, disse. ‘‘É preciso, portanto, desvincular a ideologia fundamentalista de Bin Laden da carreira profética de Maomé.’’

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