Em defesa da arte
Para uma atriz que nunca pensou em se candidatar a cargos políticos, até que Bete Mendes passou muito tempo no Congresso Nacional. Foram dois mandatos: um pelo PT e outro pelo PMDB.
A política, no entanto, nunca prejudicou a carreira artística graças a solidariedade de alguns colegas de trabalho que a convidaram para atuar na tevê em época de recesso congressista. Foi assim, por exemplo, em 1986, por ocasião de O Tempo e o Vento, adaptação de Doc Comparato para a obra de Érico Veríssimo. O Paulo José me convidou para colaborar na minissérie que acabou se tornando um sucesso de público e crítica, avalia.
Bete recorda que um de seus projetos determinava a cobrança de tarifas residênciais para a luz consumida em casas de espetáculo. Segundo a atriz, essa redução representaria uma economia de até 50% nos gastos de teatros e cinemas. O projeto, no entanto, não foi aprovado. Talvez por isso mesmo haja tanto cinema e teatro fechando hoje em dia..., lamenta.
Lembranças A atriz, no entanto, abre um sorriso largo ao lembrar de sua gestão à frente da Secretaria de Cultura de São Paulo. Um de seus projetos incluía a apresentação da Sinfônica do Estado em áreas populares. Um dia, a orquestra se apresentou na estação do metrô de Itaquera e o resultado foi maravilhoso, orgulha-se.
Porém, desde o término de seu mandato em 1990, Bete se encontra num período de entressafra eleitoral. Cautelosa, ela prefere não utilizar a expressão nunca mais, mas deixa claro o seu desestímulo diante da possibilidade de pleitear uma nova cadeira no Congresso. Prefiro continuar fazendo arte e política como uma cidadã comum, confessa.





