Em Curitiba, temporadas curtas são um problema
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 1999
Simone Mattos 
É difícil saber quantas salas de teatro existem em Curitiba. Quem associa o nome da cidade somente ao grande auditório do Teatro Guaíra, pode estar deixando de conhecer dezenas de auditórios, que somam mais de dez mil lugares e muitos espetáculos por ano.
Além das quase três mil poltronas, disponíveis nas três salas do Guaíra, Curitiba conta com o Sesc da Esquina, a Reitoria, os teatros Fernanda Montenegro e Paulo Autran, o Paiol, o Lala Schneider, o Novelas Curitibanas, os teatros do Centro de Convenções e a Ópera de Arame. Além desses e vários outros, dezenas de colégios e universidades contam com auditórios, espaços alternativos e salas de espetáculo, tornando a missão difícil demais para quem se dispõe a contar o número de poltronas disponíveis.
Mas será que há público para todas essas salas? Será que a classe teatral paranaense está satisfeita com os espaços disponíveis? Ouvindo os profissionais da área não é difícil perceber que a resposta pode ser negativa para ambas as perguntas.
O presidente do Sindicato dos Empresários e Produtores de Espetáculos no Paraná, Danilo Avelleda, tem uma reclamação concreta: o curto período de tempo que as salas disponibilizam para as temporadas paranaenses não é o suficiente para conquistar um grande público.
Não temos uma mídia forte, como no Rio e em São Paulo, e vivemos do boca a boca. Portanto não dá tempo do público chegar, denuncia. As peças estão sempre começando.
Ele explica que nos teatros oficiais, ligados ao governo do Estado ou à Prefeitura, o máximo que se consegue são três semanas de temporada. Nos particulares, como o Lala Schneider, a manutenção é muito alta e o aluguel se torna caro.
Há 39 anos, Avelleda trabalha com teatro. Uma de suas críticas é quanto a temporada de três semanas que a peça Amor com Humor se Paga, produzida por ele no ano passado, cumpriu no miniauditório do Teatro Guaíra. Eu poderia ter atingido cem mil pessoas e ficado um ano em cartaz, afirma.
A situação é tão grave que alguns profissionais se obrigam a montar suas próprias salas, como foi o caso da atriz, produtora e diretora Nena Inoue. Em agosto de 1998, ela inaugurou o Espaço Cênico, com a sua peça As Kamikazes, que ficou três meses em cartaz.
Tive que apresentá-la no meu próprio espaço, porque não queria uma temporada de três finais de semana para uma peça que eu levei meses ensaiando, justifica.
O espaço alternativo, localizado no bairro São Francisco, comporta cem pessoas e está sendo utilizado também como sala de aula para cursos de teatro, sala de ensaios e espaço para guardar figurinos e cenários.


