Em Curitiba, artistas evitam trabalhar nas campanhas
A campanha que vai eleger o próximo prefeito de Curitiba não tem como característica o trabalho de artistas como forma de angariar votos. De acordo com a Lei Eleitoral 9504/97 artigo 54 é vedada a participação, não só de artistas em campanhas de rádio ou televisão, mas também de qualquer pessoa que ganhe dinheiro para fazê-lo. Trocando em miúdos, colocar a cara ou a voz a serviço ideológico de qualquer candidato é crime. Este tipo de trabalho só é possível nos bastidores.
O escritor e publicitário Evandro Barreto, autor do livro Abóboras ao Vento Tudo que a gente sabia sobre propaganda está errado, tem uma experiência em campanhas políticas de mais de 20 anos. Carioca, foi responsável pela campanha de Moreira Franco quando o político derrotou o pedetista Leonel Brizola e de Luís Paulo Conde para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Agora é responsável pela redação do candidato Forte Netto (PSDB). Barreto trabalha em campanhas profissionalmente, já que, se fosse viver dos livros, passaria fome. Ganha R$ 1,20 por exemplar do livro vendido. Sobre o papel da arte e da cultura nas plataformas dos candidatos, Barreto é claro: os políticos profissionais vêem a cultura como uma sobremesa, já aqueles que chegaram na política circunstancialmente, são mais sensíveis a essas questões, diz.
A assessoria do candidato do PMDB, Maurício Requião, não divulga os nomes dos músicos envolvidos com a campanha. Segundo um dos assessores de Maurício, que não quis ser identificado, os artistas locais ficam constrangidos ao participar de campanhas para partidos de oposição. Segundo o assessor, ninguém quis colocar a cara por medo de não conseguir colocação no mercado após as eleições. E todos os envolvidos são músicos de movimentos comunitários simpatizantes com a proposta do candidato, não remunerados.
O candidato do PSTU, Diego de Sturdze, não tem nenhum artista ou músico envolvido com a sua campanha.Temos tão pouco tempo que, se usássemos algum artista simpatizante com a nossa causa, eu não poderia aparecer, diz. O PSTU não está usando o espaço que teria direito nas rádios. Segundo o candidato o custo dos mini-discos (MDs) é tão alto que ficou inviável a produção e distribuição às rádios.
A candidatura de Ângelo Vanhoni (PT) tem a voz da cantora Ana Toledo nos seus informes. Ana foi procurada pela Folha mas não retornou às ligações.
A propaganda de Cássio Taniguchi (PFL) é toda produzida em São Paulo. O candidato Jamil Nakad não utiliza esse recurso em sua campanha e o candidato do PDT, Eduardo Requião não foi encontrado para falar do assunto.





