Em clima de paz e amor
Fabiana Caso
Agência Estado
Em seus 30 anos, o lendário festival de Woodstock terá sua terceira edição, a partir da próxima sexta-feira, no Griffiss Park, em Rome, Estado de Nova York. Em vez de uma fazenda, sede do primeiro festival, o Griffiss Park fica numa base militar, a 320 quilômetros de Bethel, local do Woodstock 69.
A HBO transmite ao vivo os shows com exclusividade na sexta, sábado e domingo, a partir das 23 horas. Entre os produtores do festival dos 30 anos, está Michael Lang, um dos quatro organizadores do primeiro Woodstock. A expectativa é que 250 mil pessoas compareçam ao evento.
As bandas selecionadas refletem um ecletismo inédito: Aerosmith, Metallica, Red Hot Chili Peppers e Sheryl Crow, que tocaram no Woodstock de 1994 (dos 25 anos), mas inclui também o rapper Ice Cube até a cantora Alanis Morissette, Rage Against The Machine, The Chemical Brothers.
O ingresso para o primeiro Woodstock custava seis dólares, mas, logo no primeiro de seus três dias o festival teve os portões abertos. Apesar de um elenco que levou a multidão de mais de 400 mil pessoas ao delírio - entre outros, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Joan Baez e Santana - financeiramente, Woodstock foi uma catástrofe.
Os produtores não esperavam a multidão que acabou transformando-o no maior ícone do movimento hippie. Apesar de serem três dias de paz e amor (de 15 a 17 de agosto de 69), não havia comida nem água para a multidão. A segunda edição do festival em 1994, em Saugerties, no Estado de Nova York, teve uma seleção de grupos de rock e reuniu cerca de 350 mil pessoas - milhares delas sem pagar os 135 dólares do ingresso. Mais uma vez, foi um fracasso financeiro.
Mais que um festival de música, em 69, Woodstock representou um fenômeno sociológico. O evento simbolizou a mudança de valores, o novo estado entre os jovens, um grito de liberdade e amor. O evento provou que era possível reunir tantas pessoas sem que houvesse violência ou tumulto. Os jovens protestavam contra a Guerra do Vietnã, defendiam o amor livre, o consumo de drogas para expansão da mente, uma nova forma de expressão plena e desinibida.
Durante três dias viveram como uma família, acampados na fazenda de Max Yasgur - e nem a chuva, nem a falta de comida e água estragaram o programa. Eram quatro os produtores do primeiro Woodstock: John Roberts, um herdeiro milionário que financiou o festival; seu amigo Joel Rosenman, que o ajudava a achar negócios para investir; Artie Kornfeld e Michael Lang, produtores musicais que tinham um estilo de vida hippie.
A idéia era realizar um megaconcerto para a contracultura, em Woodstock, onde viviam músicos e artistas como Bob Dylan e Van Morrison. Não conseguiram num primeiro momento. Mudaram o local então para Wallkill, outra cidade do Estado, mas os moradores, assustados com a possibilidade de um festival hippie, com drogas e rock-and-roll, conseguiram decretar uma proibição a eventos com mais de 5 mil pessoas.
Elliot Tiber foi o elo fundamental para o acontecimento de Woodstock. Em 1969, ele era proprietário de um hotel em Bethel e organizava uma pequena feira de artes anual. Foi ele quem convenceu os produtores a realizar o evento em Bethel, já que possuía uma permissão para eventos de arte. Tudo começou como um festival de música e arte, uma reunião de nossa geração ao ar livre com uma rara chance de ouvir música, dançar, e ser parte de um novo tipo de família. Woodstock tornou-se uma incrível celebração de liberdade! E nenhum de nós sabia que o festival viraria um ícone, um evento histórico que mudaria o mundo. E virou. E eu vivi minha liberdade lá, relata Tiber.A HBO, canal de TV a cabo, transmite neste final de semana os shows que comemoram os 30 anos da realização do Festival de Woodstock
Arquivo FolhaCena do primeiro Festival de Woodstock, em 69, que se transformou em um fenômeno sociológico. Na edição deste ano, estarão artistas como Alanis Morrissette e Red Hot Chili Peppers





