Em cena, sem palavras
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de maio de 1998
Jackeline Seglin 
O público foi chegando aos poucos, timidamente. E foi se aconchegando. O sol do meio-dia esquentava o friozinho do final da manhã. Ontem, a atração da Mostra Regional/Nacional do FILO, para a rua, foi o grupo Cirkoluz, de Curitiba. No Zerão, em Londrina, dois atores e um músico contaram para o público a história de um casal em guerra conjugal. Sem palavras, é verdade. Mas nem foi preciso. Embalados pelo acordeón do músico Mancha, Daniel Allegretti e Alice De Vestele desenhavam cenicamente as expressões e situações do casal, usando apenas uma linguagem de códigos. Mas o que garantiu a total atenção do público foram as armas usadas pela dupla no duelo conjugal. Bolas, bastões e clavas voando pelos ares, numa demonstração de técnica em um espetáculo simples, sem grandes segredos.
Os atores abrem outra mala que guardava as surpresas reservadas ao público. Na segunda parte do espetáculo Miscelânea Malabares/Show Bizz, a dupla trabalhou com tochas acesas. Nas brincadeiras de Daniel e Alice, o público se divertia com o engolidor de fogo e as peripécias dos malabaristas com as chamas.
Aliando técnica e precisão, o espetáculo não deixou de mostrar as tradicionais intervenções circenses, como o engraçado que perde as calças e bombeiro que usa o extintor de incêndio para apagar o fogo fora de controle. Como sempre, alguém da platéia é escolhido para a demonstração do número. O convidado recebe um capacete de proteção e fica entre os dois atores, que trocam no ar as tochas acesas. O público gosta. E aplaude!
O Cirkoluz nasceu há dois anos, durante um festival de teatro de rua na Bélgica. Apaixonados pela técnica clown, o curitibano Daniel Allegretti e a belga Alice De Vestele uniram experiências para montar este espetáculo. Ela é formada na Escola de Circo de Bruxelas e ele, na Circomedia (Escola de Teatro Físico e Habilidades Circenses), de Londres.Mário César
Dupla de atores trabalha com tochas de fogo num espetáculo que diverte e conta com muitas intervenções
Mário César
Primeira parte do espetáculo é feita com clavas e muita técnica
Mário César
Espectador incauto participa do espetáculo: é diversão a valer
Um momento de pura graça: o ator perde as calças e ganha a simpatia do públic
Atores do
Cirkoluz
dão show de
malabarismo
em
espetáculo
ao ar livre
em Londrina


