César AugustoBailarinos do Ballet de Londrina ensaiando ‘‘Dois e Nada Mais’’: fusão de duas históriasO Ballet de Câmara da Cidade de Londrina estréia o espetáculo ‘‘Dois e Nada Mais’’, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, com curta temporada nos dias 31 de março, 1º e 2 de abril, às 21 horas. O espetáculo deve marcar pela ousadias conceituais. Pela primeira vez na história da companhia, traz um único balé, com 52 minutos de duração.
‘‘Dois e Nada Mais’’ traz várias proposta inovadoras. Segundo o diretor e coreógrafo do Ballet, Leonardo Vítor Ramos, há a união de duas histórias diferentes: o balé ‘‘Petruska’’, escrito no início do século por Stravinsky; e a versão Broadway de Romeu e Julieta, ‘‘West Side Story’’, com músicas de Bernstein. ‘‘Há muito tempo eu pensava em fazer algo com Petruska e com Romeu e Julieta, mas de forma independente. A junção das duas foi por acaso’’ - conta.
Segundo Ramos, tudo começou com um disco em vinil de ‘‘Petruska’’, executado pelas irmãs Labbeq. ‘‘Eu tinha o disco e fui procurar a mesma obra em CD. Acabei encontrando um CD com elas executando ‘West Side Story’. As irmãs Labbeq são pianistas eruditas e transformaram a obra popular de Bernstein em algo alucinante. Isto acabou fundindo as duas coisas em minha cabeça’’ - conta.
Para ele, o espetáculo funciona como uma troca de idéias sobre as duas obras, sem o intuito de contar histórias ou, até mesmo, de ser claro. ‘‘A idéia é apenas mexer com as emoções. Não tem uma sequência lógica mas é coerente. Ali não é teatro, é dança. As pessoas vão se identificar com as paixões expostas’’ - afirma. Segundo ele, o balé é uma somatória de imagens, que agrega linguagens de todos os outros balés já montados pela companhia.
A maior ousadia, porém, vem no trabalho vocal com os bailarinos. Pelo menos um dos 14 integrantes do Ballet deve cantar, quase no final do espetáculo. ‘‘É realmente uma ousadia, já que a dança requer um tipo de respiração e o canto, outra’’ - explica. Mesmo assim, Ramos acredita que pode dar certo. ‘‘Fizemos um teste e todos os sete integrantes masculinos do elenco teriam condições de cantar. Escolhemos os que tem mais potencial de voz e estão aulas de canto e preparação vocal. Um deles cantará ‘Tonight’, de ‘West Side Story’, que já foi interpretado por Carreras’’ - diz. Porém, a cena do bailarino/cantor só entrará no espetáculo se ficar perfeita. ‘‘Se, até a estréia, não atender minhas exigências perfeccionista, eu corto a cena sem nenhum problema’’ - garante.
Para o coreógrafo, a intenção geral do espetáculo é envolver o público, de tal maneira que não percebam o tempo passar. ‘‘Um espetáculo com 52 minutos, sem tirar as pessoas de cena, é muito longo mas, pela nossa idéia, as pessoas deverão achá-lo até breve demais. Tudo foi trabalhado para ter uma dinâmica perfeita, com fluência e leveza’’ - assegura.
Segundo Leonardo Ramos, a temporada no meio da semana vai prejudicar o público do Ballet, formado por todas as classes sociais. ‘‘Nós requisitamos ao Ouro Verde, no ano passado, pelo menos quatro dias com um final de semana, no primeiro semestre. Só conseguimos dois dias, 1º e 2 de abril, e depois de muita luta, o dia 31. É incrível, somos cobrados porque e não nos apresentamos mais em Londrina. Só que não nos dão mais espaço’’ - reclama.
Pensando nisto, o diretor já planeja temporada de um mês, em junho, no Centro Cultural Igapó, sede do Ballet e da Escola Municipal de Dança. ‘‘O espaço sofreu uma readequação física para atender a Escola, que cresceu 50% este ano. E vamos aproveitá-lo melhor daqui para frente’’ - afirma.

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