Em cena, o barroco
Em cena, o barroco
De Curitiba
Onze músicos dão corpo e vida à Accademia Bizantina, orquestra de câmara. No repertório, composições dos séculos 17 e 18. No roteiro obras de Scarlatti (Concerto Grosso nº 3, em fá maior), Geminiani (Concerto Grosso op. III, em ré menor), Corelli (Concerto Grosso op. VI. nº 4 em ré maior), Vivaldi (árias e concertos). A noite se encerra com canções totalmente inéditas para o público, que desconhece o lado operístico de Vivaldi.
O grupo reúne três primeiros-violinistas, três segundos-violinistas, um violista, dois violoncelistas, um contrabaixista e um cravista todos com idades em torno de 30 anos. A orquestra é tão jovem quanto seus integrantes: tem 17 anos. O cravista Ottavio Dantone responde pela direção artística desde 1996. Acompanhando a orquestra está a soprano Sonia Prina.
Apesar da juventude, a qualidade é madura. Tanto assim que a Accademia Bizantina já esteve em países como a França, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Dinamarca, Áustria, Suíça, Israel, México, Estados Unidos. Tem vários discos gravados e pela primeira vez cumpre temporada no Brasil. Segundo a crítica internacional, os traços mais marcantes do grupo são o rigor estilístico, a fantasia interpretativa e a perfeição técnica.
O conjunto utiliza instrumentos de época, para ter a exata recriação das sonoridades seiscentistas e setecentistas. Nosso encordamento é afinado meio tom mais baixo que o moderno, explica Dantone. As cordas são de tripa animal, mas a preocupação dos músicos não fica somente no aspecto do material.
O diretor explica: Pensamos que não apenas a instrumentação é importante, mas também a linguagem, a articulação. A música barroca buscava uma linguagem similar ao modo de falar, à voz humana. Usamos instrumentos antigos não porque era o que se tocava naquela época, mas porque eles são os mais apropriados para se alcançar a linguagem musical daquele tempo.
Ottavio Dantone obteve o prêmio de baixo contínuo no Concurso Internacional de Paris, em 1985, e em 86 classificou-se no Concurso Internacional de Bruges. Estes certames de cravo estão entre os mais importantes do mundo. Com estas vitórias foi o primeiro italiano a obter reconhecimento internacional nesse instrumento. Além das apresentações em seu país, efetuou turnês pela Europa, Estados Unidos, Israel e México. Sua discografia inclui solos, concertos e baixo contínuo.
A soprano Sonia Prina, graduada no Conservatório Giuseppe Verdi, de Milão, em 1995 venceu um concurso de canto promovido pela associação Gli Amici del Loggione del Teatro alla Scala de Milão. Nesse mesmo ano atuou em A Coroação de Pompéia, de Monteverdi. Nos anos seguintes desenvolveu intensa atividade concertística e operística, como em O Barbeiro de Sevilha, Carmen, Cavalleria Rusticana, o oratório A Ressurreição de Cristo. (Z.C.L.)
Accademia Bizantina, conjunto de música barroca em apresentação única no Canal da Música (Rua Júlio Perneta, 695, telefone 335-5273), às 21 horas. Ingressos: R$ 30,00 (platéia central e primeiro balcão), R$ 25,00 (platéia lateral), R$ 15,00 (balcão lateral), R$ 10,00 (segundo balcão).





