Marcos BorgesNitis Jacon: ‘‘Seria muito triste se nos 30 anos do Festival de Londrina a Prefeitura não pudesse participar’’O Filo 97 - Festival Internacional de Londrina/Mostra Regional de Teatro - começa sua programação artística no próximo dia 18, correndo o risco de ter a parte internacional comprometida pela falta de verbas. A diretora artística do festival, Nitis Jacon, afirmou ontem, em entrevista coletiva, que ainda são precisos cerca de R$ 250 mil para completar a verba necessária para a realização do evento.
A Mostra Regional, que reúne a parte nacional do Filo, já tem garantidos os patrocínios da Companhia Cacique de Café - pelo oitavo ano consecutivo -, Sercomtel e Banco do Brasil, através da Lei Rounet. ‘‘Este ano, a Mostra Regional saiu bem mais cara que outros anos porque foi incluída toda a publicação dos livros que vamos lançar sobre os 30 anos do festival. Como sempre, não vou conseguir o total. Mas o problema maior é mesmo na parte internacional’’ - diz a diretora.
Segundo ela, o projeto inicial estava orçado em R$ 1,2 milhão, com todas as despesas inclusas, como passagens, alimentação, hospedagem, cachê de grupos e a produção dos espetáculos. ‘‘Mas isto já está descartado. Tive que reduzir o número de grupos participantes de 30 para 20 e fiz arranjos com hotéis, agências de viagens e restaurantes para conseguir descontos. Além disto, modéstia à parte, o prestígio do Festival conseguiu com que os próprios países de origem de alguns grupos patrocinasse passagens áreas. É o caso do grupo canadense Carbono 14, que venho perseguindo para se apresentar aqui desde o primeiro festival internacional, há 10 anos’’ - conta.
Apoio Mesmo assim o Filo vai precisar, no total, de R$ 950 mil para ser apresentado do jeito que foi planejado. O Governo do Estado vai repassar R$ 250 mil e Nitis obteve o apoio dos Ministérios da Cultura e das Comunicações, que devem repassar mais R$ 150 mil e R$ 300 mil, respectivamente. ‘‘Este dinheiro ainda não saiu, mas a expectativa é real’’ - afirma. O problema maior, segundo Nitis, é que a Prefeitura de Londrina ainda não garantiu seu apoio. ‘‘Nós sabemos de toda a dificuldade que a Prefeitura está enfrentando por problemas de caixa. Mas seria muito triste, me doeria muito se nos 30 anos do Festival de Londrina, ela não pudesse participar’’ - diz.
Ela explica que, nos últimos quatro anos, o município tem bancado as despesas com alimentação e hospedagem do grupo através de permuta sobre o IPTU. ‘‘Ao todo, estas permutas cobrem cerca de R$ 250 mil, que é o valor que nos falta. Eu já fui procurar a Prefeitura mas até agora não obtive resposta’’ - explica. Para Nitis, o Festival vai sair, de um jeito ou de outro. ‘‘Ainda não tivemos tempo de analisar as possibilidades do que pode ocorrer se não sair este dinheiro. Mas, há algum tempo, fizemos uma reunião com todas as pessoas envolvidas na organização e ficou decidido não cancelar o Filo. Pode parecer um absurdo gastar dinheiro com o Festival, neste momento, mas sem o desenvolvimento cultural não há também desenvolvimento econômico’’ - garante.

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