O racionamento ainda não chegou ao Paraná, mas as instituições culturais já se dividem entre as que diminuíram o consumo e as que ainda não se preocupam com o baque energético do País
O racionamento de energia ainda não atingiu as regiões Sul e Nordeste, mas a possibilidade de que as medidas para economia decretadas pelo governo federal cheguem até o Paraná não está afastada. Enquanto o panorama permanece indefinido, os setores culturais do estado se dividem entre os que já partiram para diminuir o consumo de energia e os que ainda não tomaram atitudes significativas.
O Sul está atendendo ao pedido do Operador Nacional do Sistema para economizar em 7% o consumo mensal de energia. Só que a partir de 15 de julho, os três estados podem ser incluídos no racionamento – caso nenhuma medida judicial os livre da ameaça.
Em São Paulo, por exemplo, vários locais mudaram os horários de funcionamento. Já em Londrina, alguns órgãos estão tomando precauções independente da chegada do racionamento. A economia nos espaços ligados ao poder público municipal começou já no início do ano, quando a prefeitura estipulou uma meta de 30% na redução em todos os gastos. A Secretaria Municipal da Cultura, que administra o Teatro Zaqueu de Melo, o Museu de Artes, a Sala de Exposições José Antonio Teodoro e as bibliotecas públicas, não tem planos para uma economia maior.
O secretário Bernardo Pellegrini afirma que o órgão já vem trabalhando no limite. ‘‘Uma das coisas que me desagrada é a falta de iluminação, que tira um pouco a alegria dos prédios, como os da secretaria e do museu. Mas não deixamos luzes acesas sem necessidade porque estamos cortando gastos’’, justifica. O Teatro Zaqueu de Melo está com agenda fechada para os meses de agosto e setembro. Se ocorrer algum problema, não há o que fazer.
A Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), ONG responsável pelas escolas municipais de Dança (EMD) e Teatro (EMT), Ballet e Ballezinho da cidade, também trabalha há algum tempo com economia de energia. ‘‘Com a crise financeira na prefeitura, reduzimos ainda mais’’, alega Leonardo Ramos, coordenador da EMD. Ele diz que o tempo dos ensaios e das montagens estão sendo reduzidos e a maneira de trabalhar, modificada.
Algumas das aulas na Funcart acontecem em ambiente com iluminação parcialmente natural. ‘‘Além disso, todas as lâmpadas são fluorescentes, os computadores têm baixo consumo e a iluminação cênica é feita com lâmpadas de vapor de mercúrio, que é mais econômica’’, argumenta. Já a mudança em horários de apresentação é descartada pelo diretor. ‘‘No caso de um apagão, não tem como acontecer o espetáculo. Mas acho que não teremos esse problema aqui. Já no Nordeste, onde estaremos em temporada em agosto, poderá ser complicado’’.
O coordenador da EMT, Sílvio Ribeiro, alega que mais economia só será possível se a escola parar de trabalhar. ‘‘Durante o dia, apenas a luz da secretaria fica acesa, além das salas nos horários de aula. O barracão e a sala de espera estão no escuro’’, conta. Ribeiro brinca que a escola quase se acostumou aos apagões. ‘‘No ano passado tivemos vários aqui’’, diz, referindo-se aos atrasos nas contas de luz não pagas pela prefeitura.
A Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina é responsável por vários espaços, como o Cine-Teatro Ouro Verde, Sala de Exposições Celso Garcia Cid e Núcleo I. O diretor Alcides Carvalho acredita que o Sul está bem suprido de energia e não terá problemas. ‘‘Esse negócio de diminuir 7% é mais uma estratégia para que as pessoas façam economia. Mas sem ninguém falar nada já estamos economizando, quatro, cinco por cento ao mês’’, afirma.
Carvalho salienta que o Ouro Verde não vem sofrendo alterações no funcionamento. ‘‘Não temos um projeto de racionamento, no entanto, já conversamos com o gerente para diminuir mais os gastos com energia’’. Quanto ao Núcleo I, Carvalho argumenta que a estratégia seria diminuir o número de spots e a potência da iluminação, sem riscos de prejudicar os espetáculos. Já para a Sala Celso Garcia Cid, que utiliza mais spots de alta potência, o plano é instalar interruptores para que o público acione quando for observar as obras expostas.
Há 10 dias, o Teatro Marista entrou na economia de energia elétrica. Existe a preocupação com o racionamento, principalmente porque a agenda para o segundo semestre está lotada. ‘‘Pretendemos manter toda a programação, no entanto, com uso racionalizado’’, aponta Rogério Mateucci, diretor geral do Colégio Marista. Isso é sinal de fachada iluminada somente num período da noite; lâmpadas intercaladas no saguão e fluorescentes no corredor e platéias.
Os cinemas são locais de lazer que também correm riscos de ter suas atividades alteradas. Os cines Catuaí, por exemplo, operam com cinco salas e várias sessões. A diretora de administração e marketing da Empresa Cinematográfica Araújo, Ruth Moraes, diz que o Catuaí cancelou uma matinê durante a semana e vem economizando em tempo de ar condicionado e projetor. ‘‘Diminuímos cerca de 30% no consumo’’. As lâmpadas dos corredores são desligadas em horários alternativos, assim como as luzes da bomboniSre e dos espaços internos. Só acionamos na hora de usar’’, conta.
O Cine Royal Plaza ainda não se preocupou em fazer planos de economia. Pelo menos por enquanto, como afirma o gerente Fábio Marcondes. ‘‘Estamos mantendo tudo normalmente aceso, a não ser de manhã e nos intervalos entre as sessões. Caso ocorra o racionamento, a saída seria reduzir as sessões’’, resume.

mockup