Do alto de seus 1,92 metro de altura e de seu repleto repertório de piadas que fogem da cartilha do "politicamente correto", Danilo Gentili esconde uma timidez quase adolescente. Apesar do jeito de menino, pensando em piadas rápidas para rebater cada pergunta mais ousada, o humorista sabe a hora de falar sério. Recém-chegado ao SBT, onde vai comandar o "The Noite" a partir do dia 10 de março, Danilo encara com seriedade a troca de emissora. "Sempre fui procurado por outros veículos. Mas achei que esse era o momento certo de sair. A Band vinha me privando de uma série de coisas e o SBT estava oferecendo muito mais", garante.
Natural de Santo André, cidade do ABC Paulista, Danilo começou sua carreira de humorista com o "stand up comedy". O teatro o levou a ser contratado temporário do "CQC" para viver o Repórter Inexperiente. A boa repercussão do personagem e a rapidez com que lida com imprevistos e improvisos fizeram com que ele fosse repórter fixo por quase quatro anos no jornalístico de sua antiga casa, a Band. "Era feliz no 'CQC', mas sempre quis ter um programa de entrevistas", relembra. Sua persistência na criação de um "talk show" culminou na criação do "Agora É Tarde", comandado por ele de 2011 a 2013, também na Band. Com o "The Noite", Danilo quer fazer poucas alterações no formato que criou no "Agora É Tarde". "Vim com a mesma equipe e o mesmo elenco. Só afirmo que a qualidade será melhor porque aqui encontro mais infraestrutura e espaço para fazer o que eu quero", afirma.

Como você percebeu que era o momento de deixar a Band e alçar novos voos?
Acredito que o convite do SBT tenha vindo na hora certa. Estávamos passando por um momento delicado na Band. A emissora tinha reduzido pela metade a equipe de produção, dos bastidores. Além disso, estava diminuindo salários e queriam tirar um dia do "Agora É Tarde". No meio desse turbilhão de acontecimentos, veio a proposta do SBT. Ao mesmo tempo, deixaria de me privar do meu "casting", teria um programa que vai ao ar cinco dias por semana, ganharia mais e estaria no berço do "talk show" no Brasil. De primeira, já fiquei empolgado. Mas avisei que precisaria conversar com toda minha equipe.

Poder levar a equipe que fica atrás e na frente das câmaras era um pré-requisito?
Com certeza! O "Agora É Tarde" emplacou porque não era um programa biônico. Era um programa orgânico, com pessoas que se conhecem, que são amigas. A gente tinha autenticidade. Não foi um elenco formado. Meu foco principal ao mudar de emissora era manter o clima do bastidor, porque acho que isso é fundamental para o bom andamento do programa. Se a gente se diverte fazendo, quem assistir vai se divertir também. Não conseguiria fazer um produto tão bom sem o Léo Lins, o Murilo Couto, a Juliana e a brilhante presença do Ultraje a Rigor. Mas, além dos velhos, vamos trazer algumas novidades, como o locutor Diguinho Coruja.

A Band é a grande responsável pelo destaque da sua carreira, principalmente por ter dado um programa solo para você apresentar. Como ficou a sua relação com a direção da emissora?
Sou muito grato à Band e a tudo que construí lá dentro. Mais do que agradecer com palavras, trabalhei duro lá. Apanhei pela Band, fui preso pela Band. Infelizmente, as coisas não saíram como o planejado. A emissora diz que vai me processar. Talvez porque o "The Noite" siga a mesma linha do "Agora É Tarde". O que eu acho um absurdo. Até porque não existe mais aquele programa. A equipe inteira saiu. Além disso, eu criei o conceito, o projeto, consolidei o programa na grade com bons índices de audiência e eles ainda vão continuar usando tudo, até o nome. Em qualquer lugar normal do mundo, em vez de me processar, eles deveriam me pagar "royalties" (risos).

No contrato com o SBT, você tentou se precaver com alguma cláusula que impeça as mudanças súbitas de horário, hábito comum na emissora?
Não há blindagem para isso. Quem manda é o Silvio (risos).

Mas você não tem receio de trocar de emissora na busca de crescimento e visibilidade e acabar fora do ar?
A maior blindagem que posso ter é acreditar que o SBT é muito familiarizado com esse tipo de programa. A emissora e sua diretoria entendem que esse formato deve ser transmitido de segunda a sexta, à noite. Foi o canal que construiu, consolidou e exportou o "talk show" na grade brasileira. Mas, se não der audiência e cortarem o programa, o problema está comigo. E aí eu não posso fazer nada. Outra coisa que me faz não ficar com medo é que a proposta foi tentadora e eles fizeram de tudo para que eu assinasse. Me sinto prestigiado.

Por quê?
A emissora assumiu minhas multas contratuais porque eu ainda tinha vínculo com a Band. Além disso, deram um "upgrade" no meu salário. Posso garantir que não é nada exorbitante, mas é pago em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro (risos).

"The Noite" – SBT – Estreia dia 10 de março, à 0 h.

Trajetória Televisiva
"CQC" (Band, 2008)
"Agora É Tarde" (Band, 2011)
"The Noite" (SBT, 2014)

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