EM CARTAZ Para platéias não muito exigentes
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segunda-feira, 28 de agosto de 2006
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
Sua primeira novela foi ''Top Model'', de 1989, quando ela tinha 20 anos. Desde então, o público acostumou-se à presença assídua de Adriana Esteves nas novelas da Globo. Adriana Esteves fez também teatro e cinema. Adora o processo de criação teatral, mas admite que não se entrega facilmente, com medo das críticas. Sua filmografia se conta nos dedos de uma mão. São apenas quatro filmes ''As Meninas'', ''Tiradentes'', ''O Trapalhão e a Luz Azul'' e, agora, ''Trair e Coçar É só Começar'', que está em cartaz em 162 salas de todo o País (veja programação de cinema na página 2). Baseado na peça de Paulo Caruso que permanece há mais de uma década em cartaz, o filme é a nova aposta da Diler Produções e da Fox, empresa que distribui o maior sucesso do ano do cinema brasileiro - ''Se Eu Fosse Você'', de Daniel Filho, já fez 3,645 milhões de espectadores.
Críticos e diretores autorais têm toda razão quando dizem que quantidade não quer dizer, necessariamente, qualidade, mas a prova disso não são muitos filmes que uns e outros defendem e sim ''A Máquina'', de João Falcão, que a Diler produziu e é muito bom, embora tenha fracassado na bilheteria. O curioso é que ''Click'', uma espécie de ''A Máquina'' à americana, disparou na preferência do público. Adriana diz que Diler Trindade está caprichando no lançamento de ''Trair e Coçar'' para evitar novo fracasso. Está animada. ''Vi o filme duas vezes, com grandes platéias, em São Paulo e no Rio. A reação das pessoas foi muito legal.''
Adriana tinha 16 anos quando viu ''Trair e Coçar'' no palco. Suely Franco vivia Olímpia, a doméstica que provoca a maior confusão, fazendo com que maridos e esposas se considerem traídos e isso sem que nenhum adultério seja consumado no texto. Olímpia foi, depois, interpretada por Denise Fraga e virou uma espécie de marca da atriz. Adriana não viu essa versão. Observa que, no texto, Olímpia não é a personagem principal, mas virou, no palco, por obra das atrizes. Elogia o diretor Moacyr Góes, que transformou o texto de Caruso num vaudeville cheio de portas e janelas que se abrem e fecham a todo momento para esconder supostas traições. A edição foi decisiva na criação do timing, indispensável na boa comédia e, dela, o ator não participa.
Apesar da narrativa ágil, o humor parece emperrado pelo excesso de personagens e situações e ainda existe o preconceito contra os humildes (crítica que Fernando Meirelles também sofreu em ''Domésticas''). Adriana não vê ''Trair e Coçar'' assim. Acha Olímpia muito humana, com algo da esperta inocência de João Grilo (''Auto da Compadecida'', de Ariano Suassuna). Como o filme evita a vulgaridade, pode virar divertimento familiar. Por falar em família, Adriana está grávida de oito meses. Espera voltar à TV em março ou abril com a série adaptada de ''Toma lá Dá cá'', especial de fim de ano de Miguel Falabella que a Globo promete colocar de forma permanente em sua programação.


