EM CARTAZ - Entre o palco e a platéia
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sexta-feira, 16 de maio de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A campainha estridente soa pela terceira vez, sinal de que o espetáculo vai começar. Na platéia, os espectadores mais atrasados ainda procuram os seus lugares. Os que já estão sentados começam a abrir as embalagens das guloseimas trazidas para o teatro para ajudar a descontrair. No palco, os atores começam a destilar as suas primeiras falas, disputando a atenção do público. Uma senhora (ou senhor) na terceira fila à esquerda esqueceu de desligar o celular, que começa a tocar antes de ela ou de ele encontrar o aparelho na bolsa ou entre os casacos. Quem já não passou por situação semelhante, que atire a primeira bala de goma.
O ator Antônio Fagundes já viu tantas vezes essas cenas em seus mais de trinta anos de carreira que resolveu transformá-la em uma peça. Trata-se do espetáculo ''Sete Minutos'' que tem apresentação hoje e amanhã em Curitiba. O espetáculo foi escrito há três anos por Fagundes e estreou o ano passado com a direção da veterana Bibi Ferreira, convidada pelo ator. A peça aborda as situações constrangedoras que os atores atravessam durante os espetáculos e não deixa de ser uma espécie de autobiografia pontuada. O ator revela que já passou pelas situações abordadas várias vezes.
A comédia não pretende se esconder atrás de uma contundente lição de moral. O texto de Fagundes traz pontuações pertinentes vividas por atores conhecidos ou não. O ator, que acaba de voltar à telinha com a regravação do seriado Carga Pesada, exibido pela Globo, quis falar sobre a rapidez do mundo moderno, como já cansou de repetir em entrevistas. Por isso, usou o celular, uma metáfora do mundo contemporâneo, para mostrar o quanto as pessoas não têm mais tempo para apreciar as coisas, nem mesmo o teatro, que requer muito mais atenção do que um episódio de sessão da tarde na televisão.
O espetáculo se inicia com o primeiro ator (Antônio Fagundes) declamando pomposamente um texto de Shakespeare (Macbeth), mas ele interrompe o espetáculo depois que escuta um celular tocando na platéia. A dona do inconveniente aparelhinho é uma espectadora vivida por Neusa Maria Faro. Para tentar resolver o conflito, entram em cena a empresária (Suzi Rêgo), um jovem ator (Denis Victorazo) e até um tenente (Luiz Amorim).
Essa não é a primeira vez que Fagundes se arrisca na selva da dramaturgia. Coincidentemente, ele já havia escrito outro texto teatral tendo como tema o telefone. ''Por telefone'', também uma comédia, estreou em 1980 e tratava da decadência da classe média tendo como pano de fundo assuntos contemporâneos, como desemprego e corrupção.
Agora, Fagundes lança mão de episódios conhecidos para falar das mazelas da sociedade. O cenário do espetáculo é assinado por Cláudio Tovar, que também criou os figurinos. A iluminação ficou a cargo de Jorge Takla.
Serviço: ''Sete Minutos'', comédia de Antônio Fagundes dirigida por Bibi Ferreira. Hoje às 21 horas e amanhã às 17h30, no Teatro Guaíra. O espetáculo começa rigorosamente no horário marcado. Ingressos a R$ 40,00 (platéia); R$ 30,00 (1º balcão) e R$ 20,00 (2º balcão).


