Em campo, o lugar-comum
Até há pouco tempo, o distribuidor brasileiro era zeloso em não repetir títulos. Tarefa difícil, mas uma forma de preservar batismos originais e marcas registradas referendadas pelo tempo muitos se tornaram clássicos e até mesmo invadiram o território cult. Mas como distribuidores e platéias envelhecem, e com eles a memória das coisas e das imagens, cá estamos às voltas com o segundo Duelo de Titãs que se tem notícia. Mas atenção, não confundir o admirável western clássico de 58, dirigido por John Sturges, com Kirk Douglas e Anthony Quinn, com este Duelo de Titãs de 2000 .
O filme, que entra hoje em exibição somente em Londrina, é baseada em fatos reais ocorridos no início dos anos 70 em West Virgínia, quando pela primeira vez se decidiu integrar em uma equipe de futebol americano jogadores negros e brancos. Em meio a um enfrentamento racial e social dominado por incidentes e insultos de rua, o treinador afroamericano Herman Boone (Denzell Washington) chega para treinar os Titãs, substituindo o louro e conservador Bill Yoast (Will Patton). Logo de saída, os dois, as respectivas famílias e os próprios jogadores começam a se enfrentar em todos os terrenos, de uma maneira tão irracional e previsível que o espectador pode começar a imaginar (e a acertar) quais serão os próximos diálogos e as situações seguintes. E também como será o desenlace de cada uma das histórias.
As vitórias das equipes vão cicatrizando as feridas, as atitudes honestas liquidam as outrora irreconciliáveis diferenças. E assim os rapazes que antes se golpeavam e atacavam a honra das progenitoras em geral acabam uns nos braços dos outros, chamando-se mutuamente de irmãos. Nenhum dos personagens escapa do estereótipo. Temos o gordo rudimentar e patético que afinal passará no exame, o louro da Califórnia que todos acreditam ser homossexual, até se transformar no herói da vez, o negro que canta e dança
soul...
O herói do filme acaba sendo mesmo Denzell Washington, mas não o personagem. Nota-se com pesar os esforços do ator em driblar os muitas armadilhas do roteiro insustentável e as muitas falas em diálogos importantes, instrutivos e sentenciosos que deve travar com os oponentes. Situações que vão do lacrimogêno ao risível, tudo embalado por música permanente combinando a estridência de violinos com hits do rock de 30, 40 anos. Duelo de Titãs acaba não funcionando nem como entretenimento juvenil bem-intencionado, nem como drama racial, nem como filme sobre a paixão esportiva americana. (C.E.L.J.)





