Jacqueline Sasano/DivulgaçãoPrimeira turma formada pela Escola Municipal de Teatro, no ano passado, atuou em ‘‘Alice Através do Espelho’’ (foto)
Em busca dos palcos
A Escola Municipal de Teatro tem como objetivo ensinar os primeiros passos na atividade teatral. A batalha individual vem depois, com a experiência. E para falar disso, nada melhor do que quem já está na estrada. Por onde anda a primeira turma de formandos, que estreou nos palcos com ‘‘Alice Através do Espelho’’?
Dos 11 atores - agora formados - uns são persistentes, outros trocaram de área. Rafaela Rocha, 20 anos, abandonou o curso de Ciências Sociais para se dedicar ao teatro. Ela conta que depois que ‘‘Alice...’’ foi encerrado, o grupo tinha idéia de trabalhar junto. Mas nem todos estavam na mesma sintonia e o projeto foi por água abaixo. Cada um para o seu lado.
‘‘Eu fiz poucas coisas, como pequenas esquetes em festas, marketing animado e agora a assistência de figurino no ‘Cabaret Munchausen’. Alguns projetos também não deram certo. Mas estudar fora daqui ainda faz parte dos meus planos’’, comenta.
Rafaela confessa que hoje realmente vê que a situação é mais difícil do que imaginava quando entrou no curso de teatro. ‘‘Na escola, a gente tem a chance de montar uma coisa legal, com bons profissionais. Mas depois... A ‘ralação’ fora da escola é muito maior’’, avisa.
No ano passado, seis dos formados deram aulas na EMT: Rafaela Rocha, Carla Diacóv, Rodrigo Fregnan, Flávio Pistori, Lívia Sprizão e Flávia Menezes. Atualmente, as vagas são ocupadas por novos professores. Carla Diacóv entrou para outro grupo de teatro, a Cia. Nômade; Lívia Sprizão faz comerciais para a televisão, e Flávia Menezes está no Rio de Janeiro, onde integra o elenco carioca da nova montagem de ‘‘Alice Através do Espelho’’.
Rodrigo Fregnan, que também participou da versão curitibana do mesmo espetáculo, vai estrear na próxima quinta-feira uma montagem escrita e dirigida por ele, ‘‘Conflitos & Compheitos’’, com o novo grupo Cia. de Teatro Onomatopéia. ‘‘Fizemos Alice até meados do ano passado, participei de um projeto de teatro infantil, fiz várias performances e estou desenvolvendo o projeto de um livro de poesia, ‘Alfabeto de Ventanias’’’, conta. Neste espetáculo, Fregnan também assina iluminação e trilha sonora.
Aos 64 anos, Maria Enê Jennerich diz que atualmente está meio ‘‘parada’’. ‘‘Estou fazendo comerciais para a tevê e me dedicando mais às artes plásticas’’, conta. Enê, que é formada em Psicologia, antecipa que não é por falta de vontade que ela não tem projetos na área teatral. ‘‘O que falta é oportunidade aqui em Londrina. Os grupos existentes são muito jovens e acredito que há um certo preconceito quanto à capacidade das pessoas da minha idade’’, observa. ‘‘Eu me sinto capaz de fazer muitas coisas, mas não sei se um jovem diretor achará o mesmo.’’
Enê Jennerich formou-se na primeira turma da EMT junto com sua irmã, Lia Souza, de 68 anos, que também tem feito vários comerciais para a televisão. Pronta para voltar aos palcos assim que aparecer uma oportunidade, Enê confessa que sua vontade é fazer cinema e televisão.(J.S.)

mockup