Em busca do tempo de Andersen
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
O artista plástico Alfredo Andersen foi um dos pintores que melhor retrataram o Paraná. Eclético, Andersen fez retratos, paisagens e pintou cenas de gênero como mulheres em seus afazeres e o cotidiano da cidade. Através da obra de Andersen é possível estudar um lado interessante da História do Paraná.
Este mês o pintor faria 138 anos de nascimento. Para comemorar esta data, o Museu que leva seu nome organizou uma bela homenagem, que começou na semana passada e permanece até o final de novembro, em Curitiba. Parte do Museu ficará ambientado como se o pintor ainda morasse na casa. Para tanto, sete arquitetos convidados pesquisaram o estilo de vida da época e montaram os ambientes com uma obra do pai da pintura paranaense.
A mostra intitulada Parabéns Mestre Andersen foi aberta na quarta-feira, com a entrega oficial da obra Retrato de Ludovico R. Bienick ao Museu, por meio de termo de comodato entre a Sociedade Amigos de Alfredo Andersen e a Secretaria de Estado da Cultura.
Essa homenagem é uma maneira diferente de comemorar o aniversário de Andersen. Gostaríamos de deixar tudo preparado como se o próprio dono da casa fosse receber seu amigos, diz Amarilis Puppi, diretora do museu.
Cada um dos arquitetos escolheu um quadro do mestre para compor os espaços especiais que foram montados nas diversas salas. O museu funciona na casa onde Andersen viveu entre 1915 e 1935, ano de sua morte.
Nascido na Noruega em 3 de novembro de 1860, na cidade de Kristiansand, Alfredo Emílio Andersen, ainda adolescente, foi estudar na Itália, onde conheceu os movimentos de arte da época. De volta a Noruega foi aceito como discípulo de Wilhelm Krog. Em 1879 ingressou, por concurso, na Academia Real de Artes de Copenhague, onde permaneceu até 1883. Lá atuou como professor, rompendo com a tradição de ensino do Desenho através de cópia de gravuras impressas, adotando um modelo vivo.
Na Europa, Alfredo Andersen estava perfeitamente integrado às elites artísticas e culturais. Possuía amigos intelectuais de enorme projeção. Era pintor, cenógrafo, arranjador teatral e fez incursões pela música. Viajou pela Europa, Ásia, Índia e Américas.
Em 1892, o pintor desembarcou em Paranaguá por acaso. Seu navio ia para Buenos Aires e fez uma parada em terras parnanguaras. Andersen vinha sozinho.
Os pais ficaram na Noruega. Como ele fazia uma viagem de pesquisa, resolveu ficar.
Cativado pelo Brasil, fixou residência aqui. Por dez anos permaneceu em Paranaguá, casando-se com a parnanguara Anna de Oliveira, com quem teve quatro filhos. Em 1902 transferiu-se para Curitiba, montando um ateliê na Rua Marechal Deodoro, onde fundou sua Escola de Desenho, atuando como professor em diversas instituições públicas e privadas do Estado.
Alfredo Andersen foi, acima de tudo, o grande animador das Artes Plásticas no Paraná. Não exigiu subordinação de escolas, não impôs maneiras, não preferiu gêneros. Formou, de modo pioneiro, algumas gerações de pintores do Paraná. Foram seus discípulos nomes como Estanislau Trapple, Freyesleben, Lange de Morretes, Theodoro de Bonna, Maria Amélia DAssumpção, Isolde Hotte, Thorstein Andersen, Rodolpho Doubek, Raimundo Jaskulski entre outros. O amor do pintor pela paisagem paranaense, e o pioneirismo de suas escolas, a última fundada em sua casa na Mateus Leme, deram-lhe o título de Pai da Pintura Paranaense.
A mostra Parabéns Mestre Andersen prossegue até o dia 30 de novembro. O Museu Alfredo Andersen fica na Rua Mateus Leme, 336, em Curitiba. O horário de visitação é de segunda a sexta das 9 às 18 horas e aos sábados das 10 às 16 horas.


