EM BUSCA DO ESPAÇO PERDIDO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de julho de 2001
Leandro Calixto TV Press 
Aos 27 anos, Angélica conquistou praticamente tudo que uma mulher de sua idade sonha ter: fama e independência financeira. Apesar disso, ela não esconde uma certa frustração profissional. Justamente no momento em que ganha espaço como atriz em Um Anjo Caiu do Céu na novela de Antonio Calmon ela vive a querubim Angelina , Angélica é taxativa em dizer que sua prioridade é voltar a apresentar um programa de auditório. Para concretizar este objetivo, a própria apresentadora, que também atua no infantil Bambuluá, estabeleceu um prazo: dezembro, quando expira seu contrato com a Globo. A direção está estudando um projeto que apresentamos neste sentido. Se não for aprovado, aí vou ver o que faço da vida, avisa a apresentadora, que frequentemente é sondada para voltar a trabalhar no SBT.
Enquanto a Globo analisa o projeto, voltado para o público adolescente e desenvolvido com o diretor Boninho, Angélica continua gravando a novela das sete. Transformar a simpática lourinha com a indefectível pinta preta na perna esquerda em atriz era um antigo sonho do ex-todo poderoso da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Só que Angélica resistiu o quanto pôde. Realmente, convites para fazer novelas não faltaram. Só que, por falta de tempo, não pude aceitá-los. E atuar não é muito a minha praia, justifica Angélica, que acha mais conveniente para sua carreira fazer somente participações.
Apesar da resistência em fazer novelas, Angélica confessa que está adorando a experiência. Principalmente pela chance de estar contracenando praticamente o tempo inteiro com Tarcísio Meira. Na trama, o eterno galã da televisão brasileira vive o fotógrafo João Medeiros. É muito bom trabalhar com ele. Além do mais, o Tarcísio é uma das pessoas que mais me incentiva a continuar atuando, revela a apresentadora. Interpretar personagens na televisão não é nenhuma novidade na carreira de Angélica. Em Caça Talentos, ela já vivia a fada Bela. Em seguida, ela fez a novelinha Flora Encantada. Depois, voltou a representar no matinal Bambuluá só que no infantil global ela interpreta a si mesma.
Já na nova fase de Bambuluá, que está prevista para estrear entre agosto e setembro, Angélica vai continuar representando. Mas a apresentadora espera que, dentro deste mesmo programa, haja espaço para um formato de auditório. Assim, poderemos contar com a participação do público, insiste Angélica. Enquanto Angélica reivindica um programa de auditório na Globo, Xuxa também já disse publicamente que pretende voltar a apresentar uma produção diária matinal voltada para o público infantil e inclusive já gravou um piloto. Mesmo assim, Angélica acredita que a disposição de Xuxa em ter um novo programa não complicaria em nada o seu projeto. Existe espaço para nós duas. O problema é só a adequação da grade, imagina Angélica.
Para tentar comprovar como é possível as duas louras terem programas pela manhã na Globo, a apresentadora recorre à grade atual da emissora, citando como exemplo uma terceira apresentadora que, apesar de loura, não pertence ao universo infantil. Eu e a Ana Maria Braga ocupamos a faixa da manhã sem o menor problema. Por que eu e a Xuxa também não podemos?, teoriza Angélica, que logo em seguida admite que seria pouco provável as duas ocuparem a mesma faixa na emissora. Tanto que Angélica não faz qualquer tipo de restrição: o seu programa poderia ser diário, semanal ou até mesmo mensal. O que eu quero é apresentar!, reforça Angélica, que deixa escapar que já foi chamada pela direção da Globo para renovar seu contrato.
Angélica garante que sua vontade é permanecer na emissora, onde está contratada desde 1996. Tenho um ótimo relacionamento com a direção, avisa Angélica. Mas mesmo com o ambiente harmonioso na Globo, ela não descarta a hipótese de se transferir para uma outra emissora, caso seu programa de auditório não saia. Não quero ficar infeliz. Nem esta é a intenção da Globo também, completa Angélica.
Ao mesmo tempo em que reivindica um programa de auditório, Angélica retoma a carreira de cantora. Ela acaba de lançar o 13º CD de sua carreira, que leva seu nome, pela Universal. Na nova gravadora, depois de quase dez anos na Sony, Angélica também estréia uma fase mais madura. O CD é voltado para o público adolescente e adulto. Era natural depois de tantos anos de carreira buscar um novo público, justifica Angélica. O CD contém 12 faixas e foi dirigido por Ricardo Feghali, tecladista e também produtor do grupo Roupa Nova.
Neste novo trabalho, Angélica pretende percorrer as principais capitais do país divulgando o CD. Por isso, a cantora e apresentadora foi obrigada a formar uma banda. É fundamental cantar ao vivo. Dá mais credibilidade ao nosso trabalho, imagina Angélica, que recebeu permissão da Globo para divulgar o CD em programas de outras emissoras. Ao longo de sua carreira como cantora, ela já vendeu mais de 2 milhões de discos. O atual deve sair com uma tiragem inicial de 100 mil cópias.


