Aos 27 anos, Angélica conquistou praticamente tudo que uma mulher de sua idade sonha ter: fama e independência financeira. Apesar disso, ela não esconde uma certa frustração profissional. Justamente no momento em que ganha espaço como atriz em ‘‘Um Anjo Caiu do Céu’’ – na novela de Antonio Calmon ela vive a querubim Angelina –, Angélica é taxativa em dizer que sua prioridade é voltar a apresentar um programa de auditório. Para concretizar este objetivo, a própria apresentadora, que também atua no infantil ‘‘Bambuluᒒ, estabeleceu um prazo: dezembro, quando expira seu contrato com a Globo. ‘‘A direção está estudando um projeto que apresentamos neste sentido. Se não for aprovado, aí vou ver o que faço da vida’’, avisa a apresentadora, que frequentemente é sondada para voltar a trabalhar no SBT.
Enquanto a Globo analisa o projeto, voltado para o público adolescente e desenvolvido com o diretor Boninho, Angélica continua gravando a novela das sete. Transformar a simpática lourinha com a indefectível pinta preta na perna esquerda em atriz era um antigo sonho do ex-todo poderoso da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Só que Angélica resistiu o quanto pôde. ‘‘Realmente, convites para fazer novelas não faltaram. Só que, por falta de tempo, não pude aceitá-los. E atuar não é muito a minha praia’’, justifica Angélica, que acha mais conveniente para sua carreira fazer somente participações.
Apesar da resistência em fazer novelas, Angélica confessa que está adorando a experiência. Principalmente pela chance de estar contracenando praticamente o tempo inteiro com Tarcísio Meira. Na trama, o eterno galã da televisão brasileira vive o fotógrafo João Medeiros. ‘‘É muito bom trabalhar com ele. Além do mais, o Tarcísio é uma das pessoas que mais me incentiva a continuar atuando’’, revela a apresentadora. Interpretar personagens na televisão não é nenhuma novidade na carreira de Angélica. Em ‘‘Caça Talentos’’, ela já vivia a fada Bela. Em seguida, ela fez a novelinha ‘‘Flora Encantada’’. Depois, voltou a representar no matinal ‘‘Bambuluᒒ – só que no infantil global ela ‘‘interpreta’’ a si mesma.
Já na nova fase de ‘‘Bambuluᒒ, que está prevista para estrear entre agosto e setembro, Angélica vai continuar representando. Mas a apresentadora espera que, dentro deste mesmo programa, haja espaço para um formato de auditório. ‘‘Assim, poderemos contar com a participação do público’’, insiste Angélica. Enquanto Angélica reivindica um programa de auditório na Globo, Xuxa também já disse publicamente que pretende voltar a apresentar uma produção diária matinal voltada para o público infantil – e inclusive já gravou um piloto. Mesmo assim, Angélica acredita que a disposição de Xuxa em ter um novo programa não complicaria em nada o seu projeto. ‘‘Existe espaço para nós duas. O problema é só a adequação da grade’’, imagina Angélica.
Para tentar comprovar como é possível as duas louras terem programas pela manhã na Globo, a apresentadora recorre à grade atual da emissora, citando como exemplo uma terceira apresentadora que, apesar de loura, não pertence ao universo infantil. ‘‘Eu e a Ana Maria Braga ocupamos a faixa da manhã sem o menor problema. Por que eu e a Xuxa também não podemos?’’, teoriza Angélica, que logo em seguida admite que seria pouco provável as duas ocuparem a mesma faixa na emissora. Tanto que Angélica não faz qualquer tipo de restrição: o seu programa poderia ser diário, semanal ou até mesmo mensal. ‘‘O que eu quero é apresentar!’’, reforça Angélica, que deixa escapar que já foi chamada pela direção da Globo para renovar seu contrato.
Angélica garante que sua vontade é permanecer na emissora, onde está contratada desde 1996. ‘‘Tenho um ótimo relacionamento com a direção’’, avisa Angélica. Mas mesmo com o ambiente harmonioso na Globo, ela não descarta a hipótese de se transferir para uma outra emissora, caso seu programa de auditório não saia. ‘‘Não quero ficar infeliz. Nem esta é a intenção da Globo também’’, completa Angélica.
Ao mesmo tempo em que reivindica um programa de auditório, Angélica retoma a carreira de cantora. Ela acaba de lançar o 13º CD de sua carreira, que leva seu nome, pela Universal. Na nova gravadora, depois de quase dez anos na Sony, Angélica também estréia uma fase mais madura. O CD é voltado para o público adolescente e adulto. ‘‘Era natural depois de tantos anos de carreira buscar um novo público’’, justifica Angélica. O CD contém 12 faixas e foi dirigido por Ricardo Feghali, tecladista e também produtor do grupo Roupa Nova.
Neste novo trabalho, Angélica pretende percorrer as principais capitais do país divulgando o CD. Por isso, a cantora e apresentadora foi obrigada a formar uma banda. ‘‘É fundamental cantar ao vivo. Dá mais credibilidade ao nosso trabalho’’, imagina Angélica, que recebeu permissão da Globo para divulgar o CD em programas de outras emissoras. Ao longo de sua carreira como cantora, ela já vendeu mais de 2 milhões de discos. O atual deve sair com uma tiragem inicial de 100 mil cópias.

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