Muito se tem falado sobre o cinema paranaense nos últimos anos. E todo mundo está careca de saber que filmes e filmes são lançados anualmente. Mas que nenhum conseguiu conquistar o coração dos espectadores brasileiros.
O jeitinho para derrubar o bloqueio ainda não foi lapidado. Mas um ourives da sétima arte está tentando encontrar a solução que leve a platéia a reconhecê-lo. O catarinense, radicado no Paraná, Beto Carminatti acredita estar no caminho certo para aplicar uma nova teoria da relatividade do cinema paranaense.
Um dos caminhos para a concretização da formulação teórica é a finalização do seu novo curta, ‘‘Eternamente’’, com lançamento previsto para o segundo semestre, graças ao apoio de duas empresas, através da Lei Municipal de Incentivo: Siemens e Irmãos Thá.
Roterista, diretor e montador, Carminatti espera que com a crônica de um amor anunciado por uma rádio AM o tire do underground e o leve para um flerte com os longas metragens, em 35mm. Seu maior objetivo é se afastar definitivamente da tutela governamental, já que atualmente depende da política de incentivos para desenvolver sua arte.
‘‘Eu quero crer que um dia eu possa dar uma entrevista apenas para falar sobre narrativa, linguagem, interpretação e dramaturgia. Essa política de Incentivos deve ser relegada a um segundo plano e ser vista apenas como uma maneira de se fazer filmes’’, irrita-se.
Mesmo assim continua destilando justificativas.‘‘A insistência em puxar o assunto dá uma idéia errada de que o artista é um belo chorão, que deseja ter um estado paternalista. Essa é uma visão caolha.’’ Carminatti confessa que seu desejo é apenas manifestar a cultura do lugar onde vive, no passado, no presente e no futuro.
O cinema americano é apontado como o grande vilão pelo atual momento de dificuldades do cinema paranaense e clama por independência ou morte. ‘‘A identidade nacional só se consegue através da afirmação da cultura que é feita pelas pessoas. Não apenas através do consumo que nós temos dos produtos que vem de fora.’’
Para ajudar o ‘boom’ do cinema local, o diretor de ‘‘Eternamente’’ sugere até mesmo a taxação do produto estrangeiro. Algo assim como os americanos estão fazendo para proteger o seu aço contra a concorrência externa, em plena era da ladainha da globalização.
‘‘Nós precisamos proteger o produtor nacional. Na França e na Espanha já fazem isso. Nós também podemos seguir esse exemplo. O lucro do produto americano precisa ser taxado. Já existe uma movimentação nesse sentindo em nível nacional. O governo precisa apoiar’’, explica o cineasta.
Enquanto esse milagre não acontece, Carminati reclama dos valores defasados da Lei Municipal da Cultura, a Lei Vanhoni. ‘‘Ela tem possibilitado a realização da maioria dos filmes produzidos nos últimos anos. Mas é uma lei, cujo montante está defasado. Todos os elementos envolvidos da realização da produção cinematográfica estão atrelados ao dólar.’’
Segundo o diretor de ‘‘Eternamente’’, a classe também clama por uma política séria no estado, que vire mesas para criar um estado com tradição de pólo cinematográfico. ‘‘Precisamos da aprovação da Lei de Incentivo Estadual. É uma cobrança que fazemos para esse governo e para o próximo que está chegando. Precisamos de mecanismos que nos ajudem a produzir mais e mais.’’
Apesar da reclamação em nível estadual os produtores paranaenses estão se movimentando, revela Carminatti.‘‘O Sindicato, recém-fundado, está batalhando em nível nacional. Estivemos presentes ao congresso de cinema há três meses, com quatro delegados. Acredito que agora vamos ter verbas que geralmente só ficavam no eixo Rio-São Paulo’’.

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