O programa ‘‘Zapping’’, comandado por Virgínia Novick, se propõe a ser uma opção para quem não gosta de humor no sábado à noite. A produção da Record, que mostra os bastidores da televisão e a vida privada da classe artística, disputa a audiência contra concorrentes como ‘‘Zorra Total’’, da Globo, e ‘‘A Praça é Nossa’’, do SBT. ‘‘É difícil lutar com programas que mostram mulheres de biquínis e recorrem a piadas apelativas’’, alfineta a apresentadora de 34 anos. Apesar da forte concorrência no horário, Virgínia se diz recompensada com o retorno que o ‘‘Zapping’’ vem dando no Ibope. O programa, que está no ar há pouco mais de um ano, mantém uma média de seis pontos e chegou a dar picos de 13 pontos.
Embora satisfeita com os resultados anuais, Virgínia Novick pretende reformular o programa. ‘‘É sempre assim: depois de um certo tempo na emissora, a gente sempre quer mais’’, reconhece. Uma das reivindicações de Novick é ampliar o programa para outros centros. Atualmente, o ‘‘Zapping’’ dá mais ênfase aos eventos realizados em São Paulo. Foi por esta razão que Virgínia pediu que a direção da emissora ampliasse a equipe do ‘‘Zapping’’ de 11 para 20 pessoas. ‘‘Com isso, poderei viajar com mais frequência para cobrir eventos em todo país e mostrar as novas tendências’’, planeja.
Antes de trabalhar como apresentadora e repórter de televisão, Virgínia Novick exercitou a veia cômica no seriado ‘‘Alô, Doçura’’, exibido pelo SBT em 91 e 92. Quando foi contratada para trabalhar na Globo como atriz, ela acabou sendo remanejada para atuar como repórter do ‘‘Domingão do Faustão’’. Em seguida, atuou como repórter do ‘‘Vídeo Show’’ e do ‘‘Você Decide’’. ‘‘Depois
destas experiências, decidi seguir a carreira de apresentadora’’, explica.
Que avaliação que você faz do ‘‘Zapping’’ depois de um ano?
Acho que o programa virou uma boa opção no sábado à noite. Procuramos mostrar os bastidores da televisão de uma forma leve, sem ser apelativos e sem cair na baixaria. Não damos ênfase a fofocas. Mostramos como funciona o mecanismo dos programas e como é o dia-a-dia dos próprios artistas. Só que é difícil concorrer com produções que têm um apelo popular muito forte, como ‘‘Zorra Total’’ e ‘‘A Praça é Nossa’’.
Quando o ‘‘Zapping’’ foi criado, ele foi comparado ao ‘‘Vídeo Show’’. Isto ajudou ou atrapalhou?
Fiquei muito feliz quando o compararam ao ‘‘Vídeo Show’’, que é um programa muito tradicional. Mas o meu programa tem uma personalidade própria. Não fica restrito aos bastidores da Globo, como o ‘‘Vídeo Show’’. Tenho acesso às demais emissoras e abro espaço para pessoas que não são necessariamente famosas.
O fato de não poder contar com o ‘‘casting’’ de artistas da Globo não limita seu trabalho?
Com certeza. Gostaria muito de ter acesso aos bastidores da Globo. Mas, infelizmente, a Globo não autoriza que profissionais de outras emissoras apareçam por lá. Sempre foi assim. Quando trabalhava na Globo, também não podia aparecer em outras emissoras sem a autorização da direção. É uma pena.
Você não acha que, com o tempo, este tipo de programa pode saturar o público?
Isto o futuro irá dizer. Mas, justamente pensando nesta possibilidade, pretendo promover algumas reformulações. Quero abrir espaço no programa para novas tendências em todo país e também discutir assuntos polêmicos. Mas sem descaracterizar o formato do ‘‘Zapping’’ que é basicamente voltado para temas direcionados à televisão. Já comecei a discutir com a direção da Record sobre as mudanças que pretendo promover.
Você teve uma formação teatral. Não sente vontade de voltar à carreira de atriz?
Tenho sim. Fiz alguns trabalhos legais na televisão, como uma prostituta na minissérie ‘‘Decadência’’, da própria Globo, além de ter protagonizado dois episódios do ‘‘Você Decide’’ e de ter feito uma participação na novela ‘‘Vira Lata’’. Mas, quando descobri a vocação, acabei me apaixonando completamente por apresentar. Tanto que, além do próprio ‘‘Zapping’’, tenho outros projetos na emissora como apresentadora. Gostaria muito de comandar um ‘‘game show’’ no futuro.

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