EM BUSCA DE UM LUGAR AO SOL
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terça-feira, 22 de agosto de 2000
Leandro Calixto TV Press 
O programa Zapping, comandado por Virgínia Novick, se propõe a ser uma opção para quem não gosta de humor no sábado à noite. A produção da Record, que mostra os bastidores da televisão e a vida privada da classe artística, disputa a audiência contra concorrentes como Zorra Total, da Globo, e A Praça é Nossa, do SBT. É difícil lutar com programas que mostram mulheres de biquínis e recorrem a piadas apelativas, alfineta a apresentadora de 34 anos. Apesar da forte concorrência no horário, Virgínia se diz recompensada com o retorno que o Zapping vem dando no Ibope. O programa, que está no ar há pouco mais de um ano, mantém uma média de seis pontos e chegou a dar picos de 13 pontos.
Embora satisfeita com os resultados anuais, Virgínia Novick pretende reformular o programa. É sempre assim: depois de um certo tempo na emissora, a gente sempre quer mais, reconhece. Uma das reivindicações de Novick é ampliar o programa para outros centros. Atualmente, o Zapping dá mais ênfase aos eventos realizados em São Paulo. Foi por esta razão que Virgínia pediu que a direção da emissora ampliasse a equipe do Zapping de 11 para 20 pessoas. Com isso, poderei viajar com mais frequência para cobrir eventos em todo país e mostrar as novas tendências, planeja.
Antes de trabalhar como apresentadora e repórter de televisão, Virgínia Novick exercitou a veia cômica no seriado Alô, Doçura, exibido pelo SBT em 91 e 92. Quando foi contratada para trabalhar na Globo como atriz, ela acabou sendo remanejada para atuar como repórter do Domingão do Faustão. Em seguida, atuou como repórter do Vídeo Show e do Você Decide. Depois
destas experiências, decidi seguir a carreira de apresentadora, explica.
Que avaliação que você faz do Zapping depois de um ano?
Acho que o programa virou uma boa opção no sábado à noite. Procuramos mostrar os bastidores da televisão de uma forma leve, sem ser apelativos e sem cair na baixaria. Não damos ênfase a fofocas. Mostramos como funciona o mecanismo dos programas e como é o dia-a-dia dos próprios artistas. Só que é difícil concorrer com produções que têm um apelo popular muito forte, como Zorra Total e A Praça é Nossa.
Quando o Zapping foi criado, ele foi comparado ao Vídeo Show. Isto ajudou ou atrapalhou?
Fiquei muito feliz quando o compararam ao Vídeo Show, que é um programa muito tradicional. Mas o meu programa tem uma personalidade própria. Não fica restrito aos bastidores da Globo, como o Vídeo Show. Tenho acesso às demais emissoras e abro espaço para pessoas que não são necessariamente famosas.
O fato de não poder contar com o casting de artistas da Globo não limita seu trabalho?
Com certeza. Gostaria muito de ter acesso aos bastidores da Globo. Mas, infelizmente, a Globo não autoriza que profissionais de outras emissoras apareçam por lá. Sempre foi assim. Quando trabalhava na Globo, também não podia aparecer em outras emissoras sem a autorização da direção. É uma pena.
Você não acha que, com o tempo, este tipo de programa pode saturar o público?
Isto o futuro irá dizer. Mas, justamente pensando nesta possibilidade, pretendo promover algumas reformulações. Quero abrir espaço no programa para novas tendências em todo país e também discutir assuntos polêmicos. Mas sem descaracterizar o formato do Zapping que é basicamente voltado para temas direcionados à televisão. Já comecei a discutir com a direção da Record sobre as mudanças que pretendo promover.
Você teve uma formação teatral. Não sente vontade de voltar à carreira de atriz?
Tenho sim. Fiz alguns trabalhos legais na televisão, como uma prostituta na minissérie Decadência, da própria Globo, além de ter protagonizado dois episódios do Você Decide e de ter feito uma participação na novela Vira Lata. Mas, quando descobri a vocação, acabei me apaixonando completamente por apresentar. Tanto que, além do próprio Zapping, tenho outros projetos na emissora como apresentadora. Gostaria muito de comandar um game show no futuro.


