Em busca de reinvenção
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de maio de 2015
Anna Bittencourt<br>TV Press 
O figurino é peça fundamental na hora de contar uma história. Principalmente, quando se trata de uma época distante. Por isso, a figurinista Carolina Li iniciou as pesquisas para "Os Dez Mandamentos" quatro meses antes dos ensaios começarem. Antes de "colocar a mão na massa", Carol e sua equipe de oito assistentes sempre precisam se inteirar de toda a trama. "Fazemos uma leitura da sinopse e do perfil de cada personagem. Depois, temos uma conversa com o diretor para alinhar com a 'cara' que ele quer dar para a história", explica ela, citando o diretor Alexandre Avancini.
Depois desse processo, começa a fase de pesquisa. Por mais que tenha ficado à frente de outras produções bíblicas da Record, como "Rei Davi" e "José do Egito", Carol conta que a experiência anterior acaba ajudando e atrapalhando ao mesmo tempo. "Há uma preocupação muito grande em não repetir. Entra o desafio de trazer um frescor, um olhar diferente. Mas também tem um lado fácil de já conhecer os caminhos", revela, explicando que, apesar de retratar os povos egípcio e hebreu, entre a novela e as minisséries há uma diferença de tempo de cerca de mil anos. "Em 'José', por exemplo, a família hebreia era muito rica. Aqui, os hebreus são escravos, muito pobres", compara.
Para ir atrás de novas referências e até mesmo reforçar as que já existiam, a equipe de Carol busca livros, filmes e qualquer material que remeta à época. "Dos egípcios, há bastante coisa. Mas, dos hebreus, nada. Pouquíssima coisa sobre a indumentária, mas nada visual", lamenta. Por isso, a pesquisa vai mais para o campo da imaginação. "Usamos uma cartela de cores pastéis, com tons envelhecidos", ressalta. A diferença entre as vestes egípcias e hebreias não para por aí. Segundo ela, as roupas mais simples do povo hebreu dão mais trabalho. "É muito artesanal. Usamos teares manuais que são caríssimos. Tem tecido que custa até R$ 400 o metro", revela. Para não estourar o orçamento, todas as roupas de figuração são reaproveitadas de tramas bíblicas antigas.
Envelhecer os tecidos também é um processo muito complicado. Mesmo com lavagem e tintura, Carol admite que nem sempre o resultado fica ideal quando os capítulos vão ao ar. "Sempre digo que a câmera tem um poder de embelezamento. Às vezes, a roupa está surrada, detonada. Aí quando grava, parece que está novo. E temos de repetir todo o processo", conta. Além da roupa, da segunda para a terceira fase da novela, há uma passagem de tempo de 20 anos. Para isso, o figurino dos personagens precisa acompanhar a história. "Fazemos um trabalho de rejuvenescimento. Abusamos de decotes, cores claras, roupas mais justas. Depois colocamos mangas longas, escurecemos as cores", explica, dizendo que, para acompanhar as mudanças na trama e nos personagens, ela e sua equipe fazem uma leitura semanal dos capítulos e do roteiro. "Temos de estar por dentro de tudo e ainda combinar figurino com o pessoal do cabelo e maquiagem. É uma rotina doida", diz, entre risos.
As luxuosas joias egípcias também são parte importante do processo de caracterização dos personagens. Por isso, Carol destaca duas pessoas de sua equipe como responsáveis pelos adereços. Segundo ela, cerca de 90% das joias são produzidas no RecNov, complexo de estúdios da Record no Rio de Janeiro. O resto é feito com a ajuda de um ourives. "A mão de obra é de um joalheiro porque recriamos peças que vimos em livros ou filmes. Mas o material não é ouro, usamos latão e ouro velho para ficar mais barato", entrega.


