EM BUSCA DE RECONHECIMENTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de novembro de 2000
André Bernardo TV Press 
A modelo e apresentadora Adriane Galisteu não consegue passar despercebida por onde anda. Nos jantares e nas reuniões que frequenta, essa bela paulistana de olhos verdes e jeitão adolescente logo se torna o centro das atenções. O início de sua trajetória na tevê, porém, foi dos mais discretos. Há cinco anos, a modelo loura, que tinha como maior referência ter sido a última namorada do falecido piloto Ayrton Senna, ensaiava os primeiros passos como apresentadora do programa Ponto G, da CNT. Hoje, ela é a mais nova contratada da Record e comanda o programa É Show com Adriane Galisteu.
A transferência de Adriane para a Record foi bastante tumultuada. Como o seu contrato com a Rede TV! só terminava em julho de 2001, a emissora ligada à Igreja Universal teve de desembolsar R$ 1 milhão em multa rescisória. Fora isso, ela vai passar a ganhar R$ 40 mil por mês, mais participação em merchandising. Com isso, deve tirar em torno de R$ 200 mil por mês.
Aos 27 anos, Adriane Galisteu ainda não se dá por satisfeita. No ano que vem, ela planeja também entrar na disputa pela audiência dominical. Dirigido por Leonor Corrêa, o programa É Show com Adriane Galisteu se limita a investir no já tradicional formato das músicas, entrevistas e links jornalísticos. Mas, para Adriane, quem faz a diferença mesmo é o apresentador do programa.
Antes de se firmar como apresentadora, Adriane passou por poucas e boas. A estréia aconteceu em 1995, quando ela foi convidada para apresentar o extinto Ponto G, da CNT, pouco depois do lançamento do livro O Caminho das Borboletas. Nele, Adriane relembrava detalhes íntimos do relacionamento com o tricampeão mundial de Fórmula Um Ayrton Senna. Dois anos depois, ela estreava como atriz em Xica da Silva, da Manchete. A personagem de Adriane na novela foi estuprada logo no início da trama, enlouqueceu e vagava sempre com os seios à mostra, como uma selvagem, à beira do rio.
Desapontada com a carreira de atriz, Adriane voltou a investir na de apresentadora. A tumultuada saída de Adriane da Rede TV!, porém, não abalou seu casamento com Rogério Gallo, ex-superintendente artístico da emissora. O casal acabou de comprar um triplex em São Conrado, na Zona Oeste do Rio. Vivo cada dia da minha vida como se fosse o último. Por isso, costumo dizer que o dia mais feliz da minha vida é o dia de hoje, filosofa.
O que encorajou você a trocar a Rede TV! pela Record?
Nos últimos meses, recebi vários convites. Não apenas da Record, mas da Band e do SBT também. O meu coração, no entanto, bateu mais forte pela Record por dois motivos simples: a emissora oferece 99% de cobertura nacional e tem 47 anos de existência. Enquanto a Band e o SBT fizeram propostas para eu comandar programas vespertinos e semanais, a Record me ofereceu um programa diário no horário nobre.
Em algum momento, você cogitou levar o Rogério Gallo também para a Record?
Não. Desde o começo, isso estava fora de cogitação. Comecei na Rede TV! antes do Rogério e só começamos a namorar depois do Superpop fazer sucesso. Infelizmente, houve essa bagunça toda. O pior é que, assim que fui sondada pela Record, avisei logo o Rogério. Ele foi o primeiro a saber. Imediatamente, ele comunicou à diretoria da Rede TV! Eles tanto sabiam da negociação que entraram em contato com o pessoal da Record. Até tentaram melar a negociação. Quem foi, então, que contou para eles? Eles têm bola de cristal na Rede TV!?
Por que você não aceitou a contraproposta da Rede TV!?
Não queria que eles transformassem a minha transferência num leilão. Não estava à venda. Não fui para a Record por dinheiro. Estava feliz com o salário que recebia na Rede TV! Como já disse, o que me levou para a Record foi a estrutura da emissora.
Qual é a maior dificuldade que você encontrou na Record?
Pela primeira vez, entrei em estados que ainda não conheciam o meu trabalho como apresentadora de tevê. Afinal, a Record atinge 99% do território brasileiro. A Rede TV! só cobre 40%. Isso gera um nervosismo danado. É quase um recomeço. Costumo iniciar cada programa como se fosse o primeiro da carreira.
Por ser uma emissora evangélica, a Record fez algum tipo de recomendação?
Nenhuma. Não sou de mudar o meu jeito para agradar a quem quer que seja. Aliás, foi o meu jeito de ser que chamou a atenção da Record. Não tenho por que mudá-lo.
Você não acha que o fato de estar trabalhando na Record pode atrapalhar as negociações com a Playboy?
Acho que não. Afinal, já não tenho tanta vontade assim de posar novamente. Por enquanto, estou decidida a não posar mais. Falo por enquanto porque tudo pode mudar. Mas, se eu quiser, acho que a emissora não vai se opor. Já posei nua uma vez, o trabalho foi ótimo e não vejo motivo para repetir o ensaio. No ano passado, cheguei a negociar um ensaio na Nasa, mas as negociações não foram adiante. Acho que só posaria novamente se o projeto fosse muito interessante. Posar por posar já não me interessa tanto...
Como é sua participação na elaboração do É Show com Adriane Galisteu?
Sou do tipo de pessoa que gosta de dar palpite em tudo. Gosto de participar das reuniões, de interagir com a produção, de saber o que está acontecendo, etc. Não sou do tipo de apresentador que chega na emissora em cima da hora e pergunta: O que tenho para apresentar hoje?. Prefiro chegar junto e participar de todo o processo. Afinal, é a minha cara que está ali para bater.
Qual vai ser o público-alvo do novo programa?
Sei que tenho uma profunda identificação com os jovens. Não sou do tipo que fica em cima do muro ou que levanta bandeiras só para parecer boazinha. Falo o que penso e o público jovem gosta disso. Mas o meu objetivo é fazer um programa voltado para toda a família.
Você costuma utilizar a Hebe como referência profissional. O que mais chama a sua atenção no trabalho dela?
Gosto da Hebe porque as pessoas assistem ao programa dela por causa dela. Um dia, quero ser igualzinha a ela. Aliás, fiquei muito honrada quando soube que ela disse que eu era a sua sucessora natural. Quero que as pessoas assistam ao meu programa por minha causa. Independentemente de quem estiver sentado ao meu lado. Não posso ficar preocupada com quem vai ou não vai ao meu programa. Se for alguém interessante, ótimo. Se não for, paciência. Não é todo dia que a gente arranja pautas legais.
E quando você pretende entrar na acirrada briga pela audiência nas tardes de domingo?
Esta, aliás, é a próxima meta a ser cumprida na minha carreira. Já deixei claro que está faltando uma mulher na briga pela audiência dominical. Mas este é um projeto que quero deixar para o próximo ano. Não é para agora. Se a Record tivesse me chamado para comandar um programa dominical, teria de convencê-los do contrário. Por enquanto, estou mais preocupada em reconquistar meu espaço na programação diária. Fazer um programa diário é como matar um leão por dia. No entanto, é bom porque dá o traquejo necessário para encarar o tão sonhado programa dominical.


