''Agora É Que São Elas''. O título da nova novela das seis da Globo, que estréia hoje, até que veio bem a calhar. Afinal, o momento é de definição para a Globo. Assustada com a baixa audiência de ''Coração de Estudante'' e ''Sabor da Paixão'', que patinaram nos 25 pontos, quando a meta do horário é de 35, a emissora convocou um elenco bastante respeitável, com Vera Fischer, Miguel Falabella e Marisa Orth. Atualmente, o horário das seis é um dos mais problemáticos, graças a telejornais policialescos, como ''Brasil Urgente'', da Band, e ''Cidade Alerta'', da Record. ''Não sou eu que tenho de me preocupar com a concorrência. É ela que tem de se preocupar com a gente. Minha única preocupação é colocar no ar um produto de excelente qualidade'', vocifera Roberto Talma, que divide a direção com Amora Mautner.
Para ajudá-lo nessa difícil empreitada, a Globo escalou Ricardo Linhares, co-autor de alguns dos maiores sucessos do horário das oito, como ''Tieta'', ''Pedra Sobre Pedra'' e ''A Indomada''. Em sua segunda experiência solo na Globo a primeira foi ''Meu Bem-Querer'', de 98 , Ricardo foi buscar inspiração num argumento do ator Paulo José que inclusive está no elenco sobre Formiga, cidade do interior de Minas Gerais, onde as mulheres trabalham para grandes confecções de roupas do país.
A partir daí, criou duas cidades fictícias rivais: Bocaiúvas, onde o poder é exercido por homens, e São Francisco das Formigas, administrada por mulheres. ''Não é porque a novela é das seis que tenho de pegar leve. De água-com-açúcar, ela não tem nada. Vou falar também de realismo fantástico, crítica política, sátira social...'', enumera o autor.
O maior trunfo de Ricardo Linhares, porém, parece ser mesmo o elenco de ''Agora É Que São Elas''. A começar por Vera Fischer e Débora Falabella, duas egressas do mega-sucesso ''O Clone'', de Glória Perez. Na trama de Ricardo Linhares, Vera interpreta uma fazendeira, Antônia, que lidera a população de São Francisco das Formigas. Elas vão descobrir que, para se livrarem do jugo opressor de Juca Tigre, personagem de Miguel Falabella, precisam se tornar independentes.
Há 25 anos, Antônia deixou Juca esperando no altar e, desde então, ele jurou vingança. O papel do vingativo Juca Tigre foi escrito para Fábio Jr., que não acertou sua contratação com a Globo. Falabella volta a fazer novelas depois de cinco anos. Parece muito, mas Marisa Orth passou dez anos longe das novelas. A última em que atuou foi ''Deus nos Acuda'', de Sílvio de Abreu. Com o tempo, Antônia casou-se com Joaquim, um veterinário boa-praça interpretado por Paulo Gorgulho, e Juca, com Van Van, uma ex-miss destrambelhada vivida por Marisa Orth. Qualquer semelhança com a Magda, do ''Sai de Baixo'', será mera coincidência. Bem-humorada, ela diz que pediu às figurinistas da novela que aumentassem um pouco o comprimento da saia de Van Van para diferenciá-la de Magda. ''Ela é simplesmente outra mulher. Aliás, preciso saber fazer mais de uma, não é mesmo? Afinal, a minha profissão é essa!'', diverte-se.
Em ''Agora É Que São Elas'', nada é o que aparenta ser. Ao cair da tarde, os homens saem para passear com os filhos, enquanto as mulheres se reúnem num bar para conversar sobre o dia de trabalho. Essa é a rotina de Pedro e Tintim, papéis de Maurício Mattar e Zezé Polessa. Desquitado, Pedro ganhou na Justiça a guarda dos filhos. Embora tenha nascido em São Paulo, foi para Bocaiúvas para fugir do estresse da cidade grande e criar os filhos em contato com a natureza. ''Esse vai ser o barato do personagem. Mesmo que não saiba pentear o cabelo da filha ou fazer uma trança decente, ele vai mostrar que está disposto a acertar como pai'', avalia Maurício, pai de três filhos.
Já as preocupações de Tintim são bem diferentes das de Pedro. Mulher do machista Onório, de Nuno Leal Maia, é dona de um bar e exportadora daquela que é conhecida como a ''melhor linguiça do mundo''. Em outras palavras: uma autêntica mulher de negócios. Prestes a completar 50 anos, Zezé Polessa festeja a chance de viver personagens diferentes a cada novo trabalho, como uma beata carola em ''Hilda Furacão'', uma suburbana popozuda em ''Salsa & Merengue'' ou uma perua emergente em ''Porto dos Milagres''. ''A velhice não me amedronta. O trabalho é o melhor remédio contra ela. Não faço o tipo jovenzinha para ganhar bons papéis'', garante a atriz.

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