Fazer sucesso é uma tarefa complicada. Manter-se nele pode ser mais difícil ainda. E é nessa espécie de "limbo" que o "Encontro com Fátima Bernardes" se encontra. Desde 2012, quando estreou, o programa já teve várias "caras". Começou com uma Fátima Bernardes ainda bastante engessada pelo tempo que passou na bancada do "Jornal Nacional", misturando entretenimento com conteúdo jornalístico e números musicais. No entanto, o que se vê atualmente é que o excesso de liberdade acabou comprometendo a produção.
A apresentadora, agora sem nenhum melindre, abusa do merchandising – as propagandas que tomam quase todo o espaço dos programas matutinos – e não se importa em arriscar na dança ou no canto. De capoeira a funk, Fátima parece uma criança afoita para participar de todas as pautas do seu "Encontro".
Descontração pela manhã não é uma coisa ruim. Pelo contrário. É quase divertido lembrar que quem está dançando com a cantora Anitta estava, há pouco tempo, atrás de uma sisuda bancada de telejornal. O problema é que, com o excesso de "besteirol", a qualidade do programa caiu. E muito. Em vez de explorar um tema por programa, a produção de Fátima Bernardes lota seu sofá. Desta forma, nenhum assunto consegue ser abordado com profundidade. O papo que começa sobre cabelos termina o bloco apresentando alternativas alimentares para cachorros. É um festival de non sense.
A recente saída de Marcos Veras, que fazia uma boa dupla com Fátima, foi uma importante baixa no programa. O que indica que, em janeiro, a apresentadora deve dar lugar ao ex-"CQC" Andreoli em suas férias.
Apesar dos exageros, Fátima consegue levar o programa ao vivo sem maiores incidentes e faz um excelente "link" com a área de jornalismo quando necessário. Basta torcer para a fase da euforia da liberdade passar e a jornalista recolocar os pés no chão. Só assim para ela voltar a priorizar as boas pautas do "Encontro" e não mais uma votação "online" para escolher qual será a roupa que usará no próximo programa.

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