ReproduçãoIlustração de Michael Hague para ‘‘O Livro das Virtudes’’Virtude tornou-se uma palavra esquecida no dicionário dos tempos atuais. Alguns afirmam que as virtudes já não são as mesmas, mudaram, são outras. Outros dizem que quem mudou foram as próprias pessoas, que esqueceram-se de alguns valores fundamentais.
O fato é que virtudes como honestidade, compaixão, amizade, lealdade, sempre são apreciadas. Uma prova está no fato de a Editora Nova Fronteira estar lançando ‘‘O Livro das Virtudes para Crianças’’, o terceiro e último volume de uma coleção de antologia idealizada por William J. Bennett em que as virtudes são cultuadas como eixo central para a prática do bem.
Procurando reafirmar estes valores morais tradicionais, o norte-americano William J. Bennett compôs ‘‘O Livro das Virtudes’’, uma coletânea de histórias e textos literários com objetivo de ‘‘auxiliar na eterna formação moral’’ das pessoas. Utilizando lendas e fábulas das mais diferentes épocas e culturas, Bennett criou um livro para crianças, jovens e adultos, ‘‘uma espécie de antídoto para algumas distorções do tempo em que vivemos’’. Com uma visão clássica das virtudes, ‘‘O Livro das Virtudes’’ foi divido em tópicos chaves: disciplina, compaixão, responsabilidade, amizade, trabalho, coragem, perseverança, honestidade, lealdade e fé.
O livro acabou se tornando um grande best seller nos Estados Unidos, ganhando o prêmio Pulitzer. Na sequência veio o ‘‘Livro das Virtudes II’’ organizado por Bennett de maneira a seguir os estágios da vida, da infância à velhice passando pelo aprendizado moral de cada etapa. Sua posição é clara: ‘‘O conceito básico que sublinha este volume é que a vida é, em grande parte, uma jornada moral e espiritual; nós a empreendemos para encontrar nosso caminho, tanto moral como espiritualmente. Assim, não faz sentido encaminhar os jovens para um tal esforço tendo oferecido a eles apenas algumas opiniões tímidas e vacilantes sobre os modos de conduta, esperando que no decurso de suas trajetórias eles tropecem em preferências pessoais mais definidas, que passarão a ser seus valores. Devemos dar às crianças uma bagagem melhor. Devemos criá-las como seres morais e espirituais, oferecendo-lhes padrões inequívocos e confiáveis do que é certo ou errado, nobre ou baixo, justo ou injusto.’
Valores universaisBennett é um defensor dos valores tradicionais que mantém as pessoas no caminho do bem. Para alguns pode ser considerado um reacionário. Formado em Direito e Filosofia, entres os vários cargos que ocupou, destaca-se o de ministro da Educação no governo de Ronald Reagan e diretor do Escritório de Política Nacional de Controle de Drogas no governo de George Bush.
O sucesso de seus livros está em afirmar - contando histórias - valores que algumas gerações de pais deixaram de lado em nome de uma suposta liberdade na educação e formação de crianças e jovens. Bennett não prega uma simples volta ao passado, mas uma reconquista de valores universais que construíram o caráter da humanidade em sua evolução. Afirma que honestidade, compaixão, amizade, lealdade, por exemplo, estão presente em todas as culturas nas mais variadas épocas e esses valores foram necessário para que a humanidade sobrevivesse nas situações mais díspares.
A edição brasileira de ‘‘O Livros das Virtudes’’ (I e II), publicados pela Editora Nova Fronteira possui um grande mérito. Além de retirar da edição original o excesso de textos aplicados à história e contexto dos Estados Unidos, incorporou textos da literatura brasileira. Textos de Cecília Meireles, Monteiro Lobato, Vinícius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Mário Quintana, Fernando Sabino, Érico Veríssimo, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar e muitos outros deram outro corpo aos livros.
Ilustrado por Michael Hague, consagrado ilustrador de literatura infantil norte-americano, ‘‘O Livro das Virtudes para Crianças’’ não traz textos diferentes dos já existentes nos outros volumes. Bennett apenas selecionou alguns mais adequados para a faixa etária e reproduziu-os. O destaque fica por conta da lenda intitulada ‘‘Cinderela Indígena’’ relatada por uma tribo de índios do Canadá. A semelhança com o clássico Cinderela é muito grande, mas as diferenças também. Se no clássico Cinderela é revelada pelo ajuste de um sapato, na lenda indígena canadense ela é revelada fazendo o uso da palavras, dizendo a verdade.
O filósofo Spinosa dizia que era melhor ensinar as virtudes do que condenar os vícios. Também falava que as virtudes podem ser ensinadas mais pelo exemplo do que pelos livros. A prática é a prova dos nove.
• O Livro das Virtudes - uma antologia de William J. Bennett, Editora Nova Fronteira, edição de Luiz Raul Machado, tradução de Angela Lobo de Andrade, Bali Lobo de Andrade, Luiz Raul Machado, Maria Angela Villela e Ricardo Silveira, 524 páginas, R$ 29,00.
• O Livro das Virtudes II - O Compasso Moral - uma antologia de William J. Bennett, Editora Nova Fronteira, edição de Clara Diament, tradução de Angela Lobo de Andrade, Aline Lobo de Andrade e Ricardo Silveira, seleção de texto brasileiros Ana Maria Machado, 698 páginas, R$ 29,00.
• O Livro das Virtudes Para Crianças - organizado por William J. Bennett, ilustrações de Michael Hague, Editora Nova Fronteira, tradução de Claudia Roquete-Pinto, Ricardo Silveira, Luiz Raul Machado, Lia Neiva, Carlos Alves e Sofia Sousa Silva, 112 páginas, R$ 19,00/Livraria Rosa do Povo.

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