Em busca da tumba de Osíris
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Há livros para ler, e livros para ver e pegar. ''Egiptologia'', lançamento da Brinque-Book, pertence definitivamente à segunda categoria. O volume é grande, pesado, colorido, uma festa para os olhos de crianças e adultos. Além das joias incrustradas, o livro tem surpresas em cada página.
A ideia é original. ''Egiptologia'', na verdade, é um luxuoso diário de viagem da inglesa Emily Sands, que em 1926 teria embarcado em uma misteriosa expedição ao Egito na tentativa de encontrar a tumba de Osíris. Na época, o mundo ainda repercutia a descoberta da múmia e os tesouros de Tutancamon, o faraó-menino, e arqueologia era o assunto ''da hora''.
Tudo começa quando um antigo papiro, trazido para a Inglaterra no início do século XVIII, vai parar nas mãos da milionária e aristocrata Lady Farncombe. É ela quem financia a expedição, convencida pela amiga, Emily, que o documento era autêntico. Ele descrevia o lugar onde o deus Osíris teria sido enterrado por sua esposa Ísis depois de ser assassinado por seu irmão Set.
Os aventureiros partem da Europa em novembro e desembarcam no Cairo, de onde sobem o Rio Nilo em uma curiosa embarcação chamada Pássaro Benu. A única condição imposta por Lady Farncombe é que Emily contratasse desenhistas para ilustrar o diário, registrando passo a passo da viagem.
Assim, cada página é uma descoberta da fascinante história egípcia. Há cópias (reais) de joias da rainha Ahotep, um calendário com as temperaturas médias do Egito, mês a mês e desenhos das pirâmides de Miquerinos, Quéfren e Quéops, além da esfinge. As ilustrações contam detalhes dos costumes e crenças do povo, como os funerais de um faraó.
Mas o livro tem muito mais do que desenhos e ilustrações: é possível abrir pequenos envelopes e tocar em uma amostra da faixa de uma múmia ou montar num tabuleiro as peças do senet, um jogo parecido com o xadrez. Há um pequeno livreto com as regras, tal como estão descritas no Museu de Belas Artes de Boston.
Por pouco Emily não se encontra pessoalmente com Howard Carter, que descobriu a tumba de Tutankamon. Mas ela inclui no diário detalhes do processo de mumificação dos faraós, inclusive um folheto que reproduz com esmero os três caixões do rei-menino, que se fechavam um sobre o outro. Curiosamente, os egípcios preservavam todos os órgãos do corpo humano, menos o cérebro, que era jogado fora.
O diário termina abruptamente numa quarta-feira, 5 de janeiro de 1927. Setenta e sete anos mais tarde, uma sobrinha-neta de Emily recebe pelo correio uma pilha de papéis e cadernos, vindos de um hotel no Cairo. ''Fiquei chocada ao ver que eles tinham a caligrafia da minha tia-avó. Achávamos que ela tinha sido atacada por bandidos, ou talvez tivesse ido nadar, desavisada, no rio Nilo infestado de crocodilos'', confessa Joanna Sutherland. Ela manda os papéis para um editor, em Londres, que resolve publicar o diário.
A única coisa difícil em ''Egiptologia'' é separar a ficção da realidade. Mas essa foi exatamente a intenção do autor, Dugald Steer, um apaixonado por Literatura Inglesa e Filosofia que trabalha em projetos de livros especiais e é autor de mais de 90 títulos de sucesso. Ele teve ajuda de Raquel Funari, mestre e doutoranda em história pela Unicamp, membro do Grupo de Egiptomania do Brasil. Juntos, eles transformaram o livro em uma viagem que é ao mesmo tempo uma aventura e uma aula de história.
SERVIÇO
- Egiptologia
Autor - Dugald Steer
Tradução - Isa Mara Lando
Ilustrações - Helen Ward, Nick Harris e Ian Andrew
Editora - Brinque-Book
Quanto - R$ 65 (28 pág.)


