Em "Boogie Oogie", ator vive um visionário
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sexta-feira, 25 de julho de 2014
Anna Bittencourt<br>TV Press 
Quando começou a estudar teatro, aos 11 anos de idade, Bruno Garcia já tinha maturidade para saber os rumos que queria traçar em sua carreira. Nascido em Olinda, em Pernambuco, o ator sempre teve a preocupação de não ficar estereotipado e "engessado" em sua própria prosódia e ser escalado apenas para personagens nordestinos. Prova disso são os papéis diversificados que desempenhou ao longo de sua trajetória, que atualmente esbarra no carioca Ricardo de "Boogie Oogie", novela que substitui "Meu Pedacinho de Chão" no horário das seis. "Acredito que todo ator, independentemente de sua origem, deve manter seu sotaque neutro para não limitar as possibilidades de atuação", opina. Na trama de Rui Vilhena, Ricardo é um gênio incompreendido. "Para a época, em 1978, as ideias dele parecem estapafúrdias. Mas o telespectador vai ver que, no final das contas, fazia muito sentido", revela. Com um pensamento à frente de seu tempo, Ricardo encontrará apoio em sua mulher Luisa, de Alexandra Ritcher, e nos filhos, Daniele e Filipe, personagens de Alice Wegmann e Caio Manhente.
Como só entra no folhetim no capítulo 12, Bruno ainda não começou a gravar as cenas de "Boogie Oogie". Por isso, a construção de seu personagem ainda não está completa. "Em novelas, você cria fazendo. É uma obra muito viva, muito aberta. Só no dia a dia que você consegue encontrar o tom", acredita. No entanto, a preparação para entrar no universo "disco" já começou. Junto com o autor Rui Vilhena, demais integrantes do elenco e o diretor de núcleo Ricardo Waddington, Bruno fez leituras e "workshops". Além de assistir a palestras sobre "personagens" da década de 1970, como o escritor Nelson Motta, o documentário "Rio 77/78", de Maurício Branco, e a novela "Dancin' Days", que também serviram de inspiração para entrar no clima da época. "Apesar de ter uma certa noção de como as coisas funcionavam naquele tempo, é importante ter uma visão de quem tinha quase a mesma idade do meu personagem. Porque minhas lembranças são de situações infantis, são de pais, tios...", revela.
Apesar de estar acostumado a tipos mais contemporâneos, esta vai ser a segunda vez que o ator vai retratar esse período. Em 2008, na minissérie "Queridos Amigos", Bruno reviveu a época na pele de Pedro. "É muito bacana essa coisa de resgatar nossa memória afetiva", celebra. Segundo ele, buscar referências de uma época da qual participou muda a relação com a trama. "É muito legal fazer a reconstituição de um período tão próximo. Tenho algumas lembranças de 1978, como a Copa do Mundo na Argentina. Dá um sentimento nostálgico", afirma.
Aos 43 anos, Bruno, que está longe da tevê desde o fim do ano passado, quando interpretou o controverso Natan, em "Sangue Bom", ainda tem planos fora da Globo. Em paralelo com o início das gravações de "Boogie Oogie", ele já começa a pensar na possibilidade de rodar o longa "De Pernas Pro Ar 3", que protagoniza ao lado de Ingrid Guimarães. "O grande lance das continuações é ter uma grande sacada. Essa grande ideia já nasceu. A intenção é fazer mesmo", antecipa, empolgado.


