A veia autoral de Bruno Mazzeo pulsa forte. Roteirista contratado pela Globo desde 1991, ao longo da carreira ele se destacou ao assinar o texto de programas como "Sai de Baixo" e "A Diarista". E ainda idealizar a série "Cilada", sucesso no canal pago Multishow entre 2005 e 2009. Porém, de vez em quando, Bruno sai dos bastidores, deixa o teclado do computador de lado e topa contracenar e se divertir entre amigos. Foi exatamente isso que o levou a participar de "A Grande Família". Para celebrar em grande estilo a derradeira temporada do seriado de Lineu e Nenê, de Marco Nanini e Marieta Severo, muitos nomes do elenco da Globo foram chamados para participações especiais. Nos próximos episódios do humorístico, Bruno dará vida a Silveira, fiscal da vigilância sanitária. Corrupto e "linha dura", o personagem irá multar os principais estabelecimentos do bairro onde mora a família Silva. E, na ânsia por algum "trocado", vai se desentender, justamente, com Agostinho, de Pedro Cardoso. "Quando o assunto é comédia, adoro fazer o personagem errático. É onde se pode carregar as tintas e críticas. Silveira carrega a bandeira do cara que só quer se dar bem. Foi uma experiência muito divertida", conta.
Mesmo sem se identificar muito com o humor de costumes e mais "família" feito pelo seriado, Bruno reconhece que foi a partir da qualidade do texto que a produção conseguiu ficar por tanto tempo no ar. "Do ponto de vista do roteiro, é preciso saber se reinventar. 'A Grande Família' conseguiu fidelizar seu público por ousar, mas manter a essência", analisa. Além de contracenar com nomes que admira desde a infância, durante as gravações, o humorista ressalta o encontro com o atual diretor do programa, Luis Felipe Sá, com quem vem idealizando alguns projetos dentro da Globo, como a versão que "Cilada" ganhou para o "Fantástico" e o esperto "Junto & Misturado". "Humor é parceria. E a direção conta muito para dar o clima e o tempo certo das piadas dentro do estúdio", valoriza.
Na hora de gravar, Bruno assume que trata o texto alheio do mesmo jeito que gosta que cuidem de suas criações. Ele se diverte com as ideias propostas pelos roteiristas Adriana Falcão e Mauro Wilson. Portanto, nada de muitos "cacos" e improvisações. "O roteiro já é muito bom. Só faço as modificações que qualquer ator faria, apenas uma adequação ao jeito que eu imaginei o Silveira", explica o ator e autor carioca de 37 anos.
Atualmente, além da participação em "A Grande Família", Bruno segue tocando seus projetos pessoais. Ao longo do ano, continua em turnê nacional com o monólogo "Sexo, Drogas e Rock'n'Roll", do dramaturgo americano Eric Bogosian, onde vive seis personagens diferentes, todos ligados ao mundo da música. "É diferente estar sozinho no palco. Mas é uma solidão legal", conta.
Nas horas livres, Bruno idealiza a adaptação de "E Aí... Comeu?", sucesso do cinema nacional de 2012, para a televisão, mais precisamente para o Multishow. "Eu gosto do canal. Acho que se hoje existe muita série de humor no Multishow, o 'Cilada' foi meio que o ponto de partida", gaba-se. Com tanta coisa na cabeça, Bruno não descarta uma possível volta às novelas – a última foi "Cheias de Charme", de 2012. Mas teme o tempo e a dedicação que uma produção de longa duração exige. "A questão é rever a agenda. Se aparecer algo irrecusável, tento negociar. Novela exige uma dedicação quase integral. Adoraria fazer um vilão, daqueles do Gilberto Braga ou do João Emanuel Carneiro", avisa, deixando no ar se está brincando ou não.

mockup