Curitiba - As vendas mundiais de música em 2002 caíram 7% em valor e 8% em unidades comparadas a 2001. A queda das vendas aconteceu principalmente por três fatores: a substituição de venda de produtos legais por produtos falsificados ou baixados de sites não autorizados da internet; a competição pelos gastos do consumidor com outros setores de entretenimento e a instabilidade econômica sentida principalmente na América Latina. Os dados nada animadores fazem parte do catálogo que acaba de ser lançado pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD).
O livro traz informações importantes sobre o mercado fonográfico mundial e ainda uma pesquisa inédita sobre o perfil do consumidor no Brasil. Realizada pelo Instituto Franceschini de Análise de Mercado, a pesquisa ouviu mais de 1,5 mil consumidores de músicas em dez cidades brasileiras, incluindo Curitiba. As outras são Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Brasília, Fortaleza e Ribeirão Preto.
A pesquisa apontou que 23% da população compraram CDs em 2002, contra 24% em 2001. Os dados se referem à compra de produtos legítimos, mas a pesquisa também menciona os 115 milhões de unidades falsificadas comercializadas no ano passado. O comércio de produtos pirateados, entretanto, não conta para engordar a estatística dos produtos legais vendidos no País e ainda abalam o mercado fonográfico, como também mostra o catálogo.
Ainda sobre a venda de CDs legítimos nas dez cidades pesquisadas, a capital paranaense ficou em 7º lugar em consumo de CDs. São Paulo aparece como a principal cidade no consumo de discos originais, seguida por Rio de Janeiro. Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Dessa vez, a pesquisa considerou também as outras regiões do País.
Os álbuns mais vendidos podem não empolgar os mais exigentes, mas mostra o perfil dos consumidores brasileiros e que tipo de música agrada mais. Entre os 20 álbuns mais comercializados em todo o Brasil, ''Xuxa Só para Baixinhos 3'' (da Som Livre) encabeça a lista, no primeiro lugar. O grupo Rouge com o disco ''Popstar'' (Sony Music) ficou em segundo lugar, seguido de Roberto Carlos (''Roberto Carlos 2002'', também da Sony) e de ''O Clone Internacional'' (Som Livre).
De acordo com a pesquisa do Instituto Franceschini, as vendas por repertório em 2002 tiveram pouca alteração se comparadas ao ano anterior. O gênero mais procurado pelos consumidores no Brasil foi o pop (21% em 2002 contra 23% em 2001), seguido pelo rock (15% em 2002 contra 17% em 2001), pagode e samba (12% em 2002 e 13% em 2001) e sertanejo, que ficou com 11% nos dois anos de abordagem do trabalho.
Longe de analisar se o gosto médio da população está diretamente relacionado à qualidade do material comercializado, os dados que mostram o mercado fonográfico no Brasil são positivos. Mesmo com o mercado mundial em queda, o País apresentou um crescimento de aproximadamente 3,6% em valores e 1,7% em unidades em 2002, considerando o mercado total de áudio.
O dados referentes ao ano passado mantiveram o mercado brasileiro como forte produtor de música nacional, já que 76% do total das vendas realizadas no País foram de artistas brasileiros. Este percentual é um dos mais altos do mundo, perdendo apenas para o mercado norte-americano e empatando com o mercado japonês. Nesse quesito, o Brasil fica à frente de países com forte traço cultural, como França, Itália, Inglaterra e Alemanha.
Mas o motivo de comemoração dura pouco quando o assunto é falsificação. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos, a pirataria de CDs é a maior responsável pela crise atual do setor. A evolução desse mercado ilegal surpreeende. De 3% de produtos ilegais do total comercializado em 1997, a venda de CD pirata saltou para 59% em 2002. São 115 milhões de discos piratas vendidos, o que significa R$ 780 milhões movimentados pela pirataria. As apreensões mostram que 85% dos CDs piratas contêm música brasileira.
Os efeitos dessa realidade no País são devastadores. Informações levantadas pela associação mostra que nos útlimos cinco anos, houve redução de 30% no número de postos de trabalhos diretos, uma baixa de 30% na contratação de artistas, 2 mil lojas de discos fechadas em todo o Brasil e 24% menos produtos lançados. A pesquisa não levou em consideração a perda de arrecadação de impostos no atacado e no varejo.

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