O País está em pleno ano eleitoral, mas para o mercado editorial o filão dos livros sobre política continua ingrato. Dentre os mais de 1,7 mil títulos lançados na 17ª Bienal Internacional do Livro - que começou na quinta-feira e vai até 5 de maio - pouco mais de 30 abordam o assunto. Um deles é ‘‘Sobral Pinto - A consciência do Brasil’’ (A cruzada contra o regime Vargas, 1930-1945), escrito pelo brasilianista John W. Foster Dulles. O autor descreve a trajetória do advogado Sobral Pinto, um dos ícones políticos do País, que lutou pelas liberdades individuais durante o Estado Novo e ficou famoso pela defesa dos comunistas.
Vender livros sobre política no Brasil é uma tarefa difícil. ‘‘São obras muito especializadas e de alto giro; vendem bem durante dois meses e depois estacionam’’ diz José Henrique Grossi, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro. Segundo Grossi, apenas 5% dos títulos lançados no País tratam de política. Auto-ajuda, em contrapartida, responde por 35% dos lançamentos. Mas há exceções que caem no gosto do público. Os favoritos são livros que contam bastidores de denúncias ou biografias de políticos.
Até hoje, o maior best seller político do País foi ‘‘Zélia, uma Paixão’’. A biografia romanceada que Fernando Sabino escreveu sobre a ex-ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello teve 200 mil exemplares vendidos pela editora ‘‘Record’’. Outro sucesso da editora foi ‘‘Passando a limpo’’, de Pedro Collor (100 mil exemplares) e no ano passado, ‘‘Memórias das Trevas - Uma Devassa na Vida de Antonio Carlos Magalhães’’, de João Carlos Teixeira Gomes, teve 80 mil exemplares vendidos pela ‘‘Geração Editorial’’. Só para comparar, os quatro volumes da série Harry Potter venderam 1,2 milhão de exemplares em dois anos.

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